Grupo de 54 filiados históricos publica carta aberta contra aliança estadual com o governador, mas direção tucana rebate lembrando o fracasso eleitoral de 2024.

A decisão da Executiva do PSDB em São Paulo de oficializar o apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas deflagrou uma intensa crise interna e expôs um racha profundo dentro da legenda. Um grupo formado por 54 filiados históricos assinou uma carta aberta contestando duramente os rumos adotados pela cúpula estadual, criticando a desistência de apresentar uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes e o alinhamento político com o atual chefe do Executivo paulista.
Entre as vozes mais ativas do movimento de oposição interna estão figuras de peso na trajetória do partido, como o ex-vereador Mário Covas Neto — filho do histórico governador Mário Covas — e o ex-senador e ex-presidente nacional da sigla, José Aníbal. No manifesto, os dissidentes sustentam que as decisões estratégicas foram tomadas pela direção provisória sem a devida consulta a uma convenção partidária, acusando a liderança de se distanciar dos princípios fundadores que nortearam a atuação tucana no estado ao longo de décadas.
A formalização do apoio a Tarcísio de Freitas foi selada no âmbito da Federação PSDB-Cidadania logo após o presidente estadual tucano, Paulo Serra, abrir mão de disputar o governo de São Paulo. A aliança gerou fortes queixas da ala tradicional, que enxerga na composição com grupos políticos alinhados ao governador uma ruptura com a cartilha histórica do partido e reivindicava a manutenção do protagonismo por meio de uma cabeça de chapa própria.
Em resposta à ofensiva dos críticos, Paulo Serra rebateu as acusações destacando que o posicionamento foi legitimado pela maioria da executiva estadual, ressaltando que as minorias devem respeitar a decisão soberana do colegiado. Além disso, o dirigente lembrou o recente fracasso nas urnas protagonizado pelos próprios signatários em 2024, quando o partido lançou José Luiz Datena com José Aníbal de vice à Prefeitura de São Paulo, amargando a quinta colocação e não elegendo nenhum vereador na capital.
O que esta em jogo: A disputa expõe o dilema de sobrevivência do PSDB, que governou o estado de São Paulo por 28 anos ininterruptos (1994 a 2022) com sete vitórias consecutivas, mas perdeu relevância após sucessivas derrotas eleitorais. A adesão ao projeto de Tarcísio representa o reconhecimento pragmático da força de uma gestão focada em eficiência administrativa e reformas, enquanto a velha guarda resiste em ceder espaço, evidenciando as dores da transição de uma sigla que tenta reencontrar sua identidade no cenário político nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.