Descontrole fiscal do governo empurra a taxa Selic para 14%, eleva a inadimplência recorde da população e desencadeia pedidos de recuperação judicial no comércio.

O descompasso entre as declarações oficiais de estabilidade e o cotidiano da população brasileira atinge níveis críticos. Enquanto o discurso governamental tenta justificar a escalada dos preços por fatores externos, como conflitos internacionais no Oriente Médio citados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, a realidade nas gôndolas dos supermercados reflete um problema eminentemente doméstico: o descontrole das contas públicas. Dados da Serasa Experian revelam que 53% dos trabalhadores chegam ao fim do mês sem recursos suficientes para honrar seus compromissos básicos, expondo o esgotamento do orçamento familiar diante da corrosão do poder de compra.
A raiz da deterioração econômica reside no avanço desenfreado dos gastos estatais. O mecanismo do arcabouço fiscal, desenhado para impor limites às despesas, tem sido contornado por meio de autorizações para gastos extraordinários viabilizadas com o apoio do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Esse endividamento contínuo impulsionou a Dívida Bruta do Governo Geral para a marca histórica de R$ 10,8 trilhões, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. Projeções de mercado indicam que essa proporção pode ultrapassar os 100% do PIB até 2032 caso não ocorra uma reversão rigorosa.
Como resposta à desconfiança dos agentes econômicos sobre a solvência do Estado, o custo do crédito disparou no país. A taxa básica de juros (Selic), que chegou a 2% em 2020, alcançou o patamar de 14% em 2026. A manutenção de juros elevados por períodos prolongados sufoca tanto o consumidor final quanto as empresas. O reflexo imediato é uma inadimplência sem precedentes: quase 84 milhões de brasileiros estão negativados, com uma dívida média de R$ 7 mil por indivíduo, forçando famílias a recorrer ao parcelamento de despesas correntes, como alimentação.
O aperto financeiro que trava o consumo das famílias reverbera diretamente sobre a saúde financeira do setor produtivo. Mais de 9 milhões de pessoas jurídicas acumulam dívidas superiores a R$ 230 bilhões. Esse estrangulamento culminou em uma onda de pedidos de recuperação judicial de marcas emblemáticas do varejo e da indústria nacional, como Casas Bahia, Marabraz e a fabricante de brinquedos Estrela. O fenômeno evidencia que a retração na ponta compradora inviabiliza modelos de negócios dependentes de crédito acessível e previsibilidade macroeconômica.
Analistas destacam que medidas artificiais de incentivo ao consumo e subsídios, que remetem às políticas adotadas em 2015 no governo de Dilma Rousseff, não oferecem sustentação de longo prazo. Segundo o economista Yihao Lin, do Banco Genial, a perspectiva para 2027 aponta para desaceleração, com atividade econômica estagnada, câmbio pressionado e incertezas adicionais decorrentes de fatores eleitorais e climáticos. Especialistas reforçam que apenas um ajuste fiscal crível, acompanhado de segurança jurídica, será capaz de atrair investimentos privados e devolver a estabilidade necessária para a recuperação da renda da população.
O que esta em jogo: A expansão contínua do endividamento público e a manutenção de taxas de juros elevadas ameaçam paralisar o crescimento da economia brasileira e destruir postos de trabalho. Sem disciplina fiscal e respeito aos limites orçamentários, o país arrisca aprofundar a inadimplência das famílias e a quebra de empresas tradicionais, reiterando ciclos passados de estagnação que sacrificam o poder de compra e a liberdade financeira da população.
Com informacoes de revistaoeste.com.