Governo canadense adota retaliação espelhada de até 50% sobre importações norte-americanas após fracasso de negociações comerciais bilaterais.

A tensão comercial entre os Estados Unidos e o Canadá atingiu um novo ápice com o anúncio feito pelo governo canadense nesta terça-feira, 25, de que aplicará tarifas retaliatórias sobre US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103,25 bilhões) em produtos importados dos Estados Unidos. A medida punitiva, divulgada com base em relatórios do Financial Times, está programada para entrar em vigor no dia 8 de setembro e deve incidir sobre centenas de itens estratégicos da produção norte-americana, incluindo aço, laticínios e maquinário agrícola.
O contra-ataque de Ottawa surge como resposta direta à tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre mercadorias canadenses, em vigor desde o sábado 22. O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, apresentou um documento de 99 páginas detalhando a extensão das barreiras alfandegárias. Segundo o ministro, a postura firme tornou-se inevitável após o colapso das tratativas bilaterais. “Como os Estados Unidos exigiram demais e ofereceram de menos, optamos por defender os canadenses”, declarou Champagne a respeito do encerramento das negociações na sexta-feira 21.
A resposta canadense foi estruturada sob o princípio da reciprocidade direta, estabelecendo alíquotas de 15%, 25% ou 50%, espelhando exatamente os percentuais aplicados por Washington sobre os itens canadenses equivalentes. Ao justificar a ofensiva, o ministro Champagne garantiu: “Nossas contratarifas equivalentes, dólar por dólar e alíquota por alíquota, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas”. O titular da pasta enfatizou que o objetivo do país é “construir uma economia canadense mais forte, mais resiliente e mais diversificada” diante das pressões externas.
O ambiente de atrito tem se intensificado rapidamente. Na segunda-feira, 24, Donald Trump voltou a pressionar o país vizinho, ameaçando elevar as tarifas sobre os automóveis canadenses dos atuais 25% para 50%. A desavença ganhou contornos mais rígidos desde que o primeiro-ministro Mark Carney decidiu suspender oficialmente as conversas com a administração norte-americana na última sexta-feira, após semanas de tratativas infrutíferas que não alcançaram consenso econômico ou diplomático.
O que esta em jogo: A disputa tarifária entre duas das economias mais integradas do planeta coloca em risco cadeias produtivas cruciais, afetando diretamente a indústria automotiva, a siderurgia e o agronegócio. Sob a ótica do livre mercado e da soberania nacional, o protecionismo estatal e a elevação de barreiras comerciais tendem a gerar ineficiências econômicas, pressionar a inflação interna de ambos os lados da fronteira e punir diretamente os consumidores e os setores produtivos mais dinâmicos.
Com informacoes de revistaoeste.com.