Governo norte-americano fixa sobretaxa de 50% sobre aço, veículos e autopeças canadenses para vigorar a partir de 2027, aprofundando impasse bilateral.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 24, uma nova rodada de endurecimento tarifário contra o Canadá. Em publicação divulgada na plataforma Truth Social, o chefe do Executivo norte-americano informou que aumentará para 50% as tarifas de importação incidentes sobre carros, caminhões, peças automotivas e aço provenientes do país vizinho, com vigência estipulada a partir de 1º de janeiro de 2027.
A ofensiva tarifária traz como contrapartida um claro incentivo à atração de capital e fábricas para solo norte-americano: companhias canadenses que optarem por transferir sua produção para os Estados Unidos não sofrerão a cobrança. A medida aprofunda as pressões comerciais sobre itens cruciais, sendo que parte dessas categorias já enfrentava barreiras alfandegárias norte-americanas, como o setor de aço, cujas alíquotas o governo do Canadá vinha tentando reverter sem sucesso.
O acirramento das tensões é reflexo direto do colapso nas tratativas bilaterais mantidas nos últimos meses. Em julho, Trump já havia formalizado três decretos que impuseram alíquotas de 50% sobre variados artigos da pauta canadense, incluindo vinhos, tacos de hóquei, cimento e derivados de leite. As negociações não avançaram diante da falta de consenso sobre as exigências mútuas para a preservação de fluxos comerciais favoráveis.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, havia se manifestado publicamente na sexta-feira, 21, prometendo represálias imediatas caso Washington avançasse nas restrições. ‘O Canadá aplicará tarifas equivalentes, dólar por dólar, para proteger nossos trabalhadores e empresas’, afirmou o premiê, que justificou o travamento das conversas sustentando que Washington exigia concessões excessivas sem contrapartidas equilibradas, além de tentar impor restrições à autonomia canadense para firmar acordos internacionais.
Em resposta à postura do líder vizinho, Trump declarou nesta segunda-feira que não pretende tratar o Canadá como um estado da federação norte-americana, pontuando ainda que a economia dos Estados Unidos não é dependente do parceiro do norte e que o desequilíbrio na relação comercial afeta de maneira mais intensa o próprio Canadá.
O que esta em jogo: A disputa entre Washington e Ottawa evidencia a firme aplicação da soberania econômica e da defesa da indústria doméstica por parte do governo norte-americano, que utiliza barreiras fiscais para desestimular a terceirização produtiva e exigir reciprocidade ampla de seus parceiros. Para o Canadá, o impasse expõe o risco de estrangulamento de setores industriais basilares, ao mesmo tempo em que testa os limites diplomáticos de um mercado fortemente dependente do dinamismo e da escala do consumidor dos Estados Unidos.
Com informacoes de revistaoeste.com.