A produção cinematográfica 'Dark Horse', que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve registro na Ancine enquanto enfrenta pedidos de esclarecimento da Polícia Federal.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o registro de obra estrangeira para o longa-metragem Dark Horse, produção cinematográfica internacional que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão técnica representa a primeira etapa formal e indispensável para viabilizar a exibição da obra nos cinemas de todo o Brasil. Apesar da aprovação inicial, a veiculação comercial definitiva ainda requer a emissão do Certificado de Registro de Título (CRT) e a definição da classificação indicativa pelo Ministério da Justiça.
A distribuição nacional do projeto está sob a responsabilidade da Europa Filmes, que formalizou o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) em 22 de junho, após a recusa da distribuidora Paris Filmes. O planejamento logístico prevê um lançamento de ampla escala, contemplando a exibição em pelo menos 650 salas de cinema do país com cópias devidamente dubladas. A previsão é que a estreia ocorra somente a partir de novembro, após a conclusão do período eleitoral.
Paralelamente aos trâmites de mercado, o projeto tornou-se alvo de escrutínio jurídico e investigativo. O filme figura em apurações sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhando repercussão após menções a contatos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal conduz investigações para verificar se eventuais repasses milionários efetuados por Vorcaro teriam custeado despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante permanência nos Estados Unidos.
Em razão dessas frentes de investigação, a Polícia Federal notificou a Ancine, concedendo um prazo de dez dias para a entrega de informações detalhadas a respeito da produção. A corporação requisitou dados cadastrais completos sobre as empresas e indivíduos envolvidos — produtores, coprodutores, distribuidores e representantes legais —, além de esclarecimentos sobre a eventual utilização de incentivos fiscais ou de recursos públicos para o desenvolvimento do filme.
No âmbito administrativo, a própria Ancine abriu, em 28 de julho, um processo de fiscalização contra a produtora Go Up Entertainment. A Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria apontou supostas irregularidades em filmagens realizadas em território brasileiro sem a comunicação prévia exigida pela legislação do setor cultural, incluindo pendências de registro, apresentação de planos de filmagem e regularização documental de trabalhadores estrangeiros, sob risco de penalidades que variam de R$ 2 mil a R$ 100 mil.
O que esta em jogo: A controvérsia em torno de Dark Horse reflete o ambiente de forte polarização que cerca narrativas biográficas de figuras políticas de relevo no país. Em um cenário onde produções culturais com viés conservador buscam espaço no circuito tradicional de exibição, as exigências burocráticas e a pressão de investigações policiais adicionam um peso institucional relevante sobre o lançamento comercial e os agentes envolvidos no financiamento e na produção audiovisual.
Com informacoes de revistaoeste.com.