Em sabatina eleitoral, postulante do Psol afirma ter sofrido ameaças e manobras de bastidor do ex-prefeito socialista para impedir sua entrada na corrida estadual.

A corrida pelo governo de Pernambuco ganhou novos contornos de tensão nos bastidores políticos locais. Durante sabatina concedida ao tradicional Diário de Pernambuco nesta segunda-feira, 24, o postulante do Psol ao Palácio do Campo das Princesas, Ivan Moraes, revelou que enfrentou fortes pressões e tentativas de inviabilização de seu projeto político orquestradas por João Campos (PSB), seu concorrente direto no pleito e ex-prefeito do Recife.
Segundo o relato contundente do candidato do Psol, a articulação partidária envolveu coerção direta para forçar a retirada de seu nome da disputa majoritária. “Ele tentou tirar minha candidatura, ele ameaçou nosso partido”, declarou Ivan Moraes. A legenda, contudo, optou por sustentar uma trajetória independente, oficializando a candidatura somente em 15 de agosto, data limite para os registros legais perante a Justiça Eleitoral.
As divergências com o núcleo socialista não se limitaram aos acordos de campanha. Ivan Moraes expôs um distanciamento histórico com o ex-prefeito recifense, destacando que nunca chegou a ser recebido pelo mandatário durante o período em que exerceu seu mandato como vereador na capital pernambucana. Para o postulante, tanto João Campos quanto a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição, operam dentro de um pragmatismo de conveniência no centro político, alterando suas bandeiras ideológicas conforme a maré eleitoral.
Na análise do concorrente, o representante do PSB demonstrou um comportamento volátil ao buscar aproximação com pautas da direita quando necessitava daquele eleitorado e, agora, tentar reposicionar sua imagem pública mais alinhada ao campo da esquerda. Apesar das críticas contundentes aos métodos de ambos os adversários tradicionais, Ivan ponderou que, caso alcance uma vaga no segundo turno, o cenário eleitoral exigirá diálogo e negociações com um desses polos.
No campo programático apresentado durante a entrevista, o candidato da sigla esquerdista detalhou propostas voltadas para o aumento da atenção básica à saúde por meio de convênios estaduais e municipais. Além disso, defendeu a criação de uma rede de distribuição e fabricação de medicamentos à base de cannabis utilizando a estrutura do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe).
O que esta em jogo: Os atritos públicos entre as legendas de esquerda evidenciam a fragmentação de bases e a guerra pelo monopólio da oposição em Pernambuco. A tentativa de hegemonia atribuída a grupos políticos tradicionais como o PSB mostra como arranjos de cúpula buscam silenciar alternativas eleitorais, revelando a instabilidade e o pragmatismo das alianças regionais que priorizam a manutenção do poder em detrimento da coerência doutrinária.
Com informacoes de revistaoeste.com.