Em encontro na Fiesp, candidato defende sistema de pontuação para recompensar esforço individual e criar portas de saída da dependência estatal.

Em reunião realizada nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, com a diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma proposta focada na emancipação econômica de famílias de baixa renda. A iniciativa busca implementar um sistema de incentivos e pontuação para cidadãos que adotarem medidas concretas de desenvolvimento pessoal, capacitação e cuidado familiar, visando transformar a assistência social em uma alavanca para a autonomia e o trabalho.
O modelo sugerido foi comparado aos tradicionais programas de fidelidade do setor financeiro, funcionando como uma espécie de recompensa pelo mérito e dedicação. Entre as ações que gerariam pontos estão a conclusão do ensino fundamental, a vacinação dos filhos e a obtenção de vagas em creches. Ao detalhar a medida, o candidato pontuou: “Vamos fazer uma espécie de cashback. Todos nós que usamos cartão de crédito temos um sistema de pontuação. Por que o pobre também não pode ter um sistema de pontuação sempre que ele buscar melhorar sua vida?”.
A estrutura prevê o desenvolvimento de uma plataforma digital governamental capaz de centralizar os serviços sociais e disponibilizar cursos técnicos e profissionalizantes, inclusive na modalidade a distância. O objetivo é permitir que os participantes utilizem a qualificação técnica para ingressar no mercado de trabalho formal ou ter acesso facilitado a linhas de microcrédito voltadas ao empreendedorismo. “Vamos premiar quem quer se qualificar”, destacou Flávio, defendendo o estímulo à livre iniciativa como o melhor caminho para a superação da vulnerabilidade.
Durante a exposição na entidade industrial paulista, o parlamentar garantiu a manutenção do Bolsa Família em um eventual governo, mas reforçou que os programas de transferência de renda não podem aprisionar o cidadão em um ciclo permanente de tutela. Para o candidato, a assistência estatal básica deve funcionar apenas como um suporte inicial, acompanhada de ferramentas reais para a ascensão social: “Essa ajuda do Estado não tem que ser a última coisa que o Estado faz para essas pessoas. Tem que ser a primeira”, afirmou.
O que esta em jogo: A discussão sobre programas sociais no Brasil historicamente esbarra no dilema entre a simples distribuição de recursos e a criação de mecanismos efetivos de saída da dependência estatal. Ao propor métricas de qualificação, empreendedorismo e mérito individual, o plano busca alinhar a proteção aos vulneráveis com valores de responsabilidade pessoal e dinamismo econômico, enfrentando um dos maiores desafios fiscais e produtivos do país: converter assistência emergencial em produtividade e dignidade por meio do trabalho.
Com informacoes de revistaoeste.com.