Após quase uma década de aliança, governador Carlos Brandão rompe laços políticos com Flávio Dino, troca de legenda e afasta apadrinhados do ministro no Maranhão.

A política do Maranhão vive um período de profunda reconfiguração institucional após o desgaste e o rompimento definitivo da aliança histórica entre o governador Carlos Brandão e o ex-governador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. O que durante quase uma década funcionou como uma coalizão hegemônica no Executivo estadual transformou-se em uma disputa silenciosa por autonomia administrativa e influência política, expondo as tensões sobre quem de fato dita os rumos do estado.
A união teve início formal nas eleições de 2014, quando Dino, então filiado ao PCdoB, encabeçou a chapa vitoriosa ao governo tendo Brandão, que pertencia ao PSDB, como seu vice. A parceria foi renovada e consolidada com a reeleição em 2018, período no qual o vice-governador transitou pelo PRB (hoje Republicanos) antes de regressar temporariamente ao tucanato em 2021. Juntos, os dois mantiveram as rédeas do Palácio dos Leões por mais de sete anos ininterruptos, desenhando as principais estratégias de poder da região.
A virada estrutural começou a se desenhar em 2 de abril de 2022, momento em que Dino renunciou ao governo para concorrer a uma vaga no Senado Federal. Antes de formalizar a saída, articulou para que ambos ingressassem no PSB, pavimentando o caminho para que Brandão assumisse o Executivo estadual e concorresse à reeleição com apoio público. O plano obteve êxito nas urnas em outubro de 2022, mas o exercício pleno do novo mandato revelou que a dinâmica de subordinação política não se sustentaria a longo prazo.
No comando definitivo da máquina pública, Brandão passou a rejeitar a tutela política e deixou de acolher as diretrizes e sugestões enviadas por Dino. O distanciamento culminou na saída de Brandão do PSB em 2025 e em sua filiação ao MDB, acompanhada de uma limpa em postos estratégicos do primeiro escalão estadual. O movimento mais emblemático dessa faxina administrativa foi a demissão de Felipe Camarão (PT) da Secretaria da Educação. Atual vice-governador e figura central durante a gestão de Dino, Camarão já havia comandado pastas como Gestão e Previdência, Cultura e Governo, sendo amplamente visto como o principal pupilo do ex-governador no estado.
O que esta em jogo: A ruptura no Maranhão ilustra os limites da transferência de capital político na máquina pública e a natural tendência de governantes empossados de buscarem independência na gestão. Para os maranhenses e para o cenário político nacional, o movimento enfraquece a tentativa de exercício de influência política regional a partir de Brasília e sinaliza a reorganização de forças partidárias que disputarão o controle das prefeituras e dos orçamentos locais nos próximos ciclos eleitorais.
Com informacoes de revistaoeste.com.