Senador e candidato ao governo estadual defende modelo salvadorenho de enfrentamento ao crime organizado para garantir maior autonomia penitenciária.

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, anunciou nesta segunda-feira, 31, a proposta de construir uma unidade prisional estadual de segurança máxima em território paranaense caso vença a disputa pelo Executivo estadual. O projeto prevê batizar a penitenciária com o nome de “El Salvador”, uma homenagem direta às estratégias de combate à criminalidade e enfrentamento a facções adotadas pela gestão do presidente salvadorenho Nayib Bukele.
A iniciativa foi detalhada durante um congresso de segurança pública sediado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. O evento contou com a presença de lideranças políticas nacionais e do próprio ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, a quem o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública apresentou formalmente sua proposta. Segundo Moro, a experiência de El Salvador representa um exemplo inspirador no restabelecimento da ordem e na contenção do crime organizado.
Ao fundamentar a medida, Moro apontou a necessidade de o Estado do Paraná contar com independência na gestão de custodiados de alta periculosidade. O candidato destacou que o sistema enfrenta entraves no fluxo de transferências de criminosos, afirmando: “Não sei exatamente o motivo, mas está havendo dificuldade hoje para a inclusão de novos presos”. A intenção, portanto, é assegurar a chamada “autonomia de gestão” por meio de uma estrutura prisional rigorosa e própria no estado.
O modelo salvadorenho foi amplamente sustentado durante o encontro pelo ministro Gustavo Villatoro, que rebateu críticas de entidades internacionais de direitos humanos, classificando tais posicionamentos como “hipócritas”. O ministro enfatizou que os instrumentos adotados em seu país constituem ferramentas constitucionais essenciais para suplantar o que chamou de “Estado criminoso paralelo”, ressaltando que o país viu o número de homicídios despencar de 3,9 mil em 2015 para 82 em 2025 — uma redução de cerca de 98% —, além de zerar a taxa de impunidade nesses crimes.
O encontro na Fiesp também reuniu outros nomes da cena política que defendem o endurecimento penal, como o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro, e o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado. A pauta de contenção severa das facções criminosas e isolamento de lideranças violentas reflete uma diretriz que busca devolver a tranquilidade às famílias e resguardar a soberania do Estado contra o avanço do crime.
O que esta em jogo: A discussão em torno da importação de métodos semelhantes aos de El Salvador ganha relevância no cenário eleitoral brasileiro ao colocar no centro do debate a necessidade de respostas firmes e institucionais contra o crime organizado. Para além da disputa estadual no Paraná, a proposta simboliza o esforço de lideranças conservadoras em priorizar a segurança do cidadão de bem, a preservação da ordem pública e o fortalecimento do sistema penal frente aos crescentes desafios da segurança pública nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.