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PF interroga Daniel Vorcaro e pai sobre milícia

Polícia Federal ouve Daniel Vorcaro e pai sobre esquema de espionagem ilegal e invasões cibernéticas contra órgãos públicos.

Por Redação Ponto FixoPublicado 30/09/2026 às 09h02· 3 min de leitura
PF interroga Daniel Vorcaro e pai sobre milícia
Foto: Divulgação

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, os interrogatórios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro. O objetivo central dos investigadores é finalizar o inquérito que apura o funcionamento de uma complexa rede criminosa voltada a espionar autoridades públicas e coagir adversários comerciais do empresário, que comandava o Banco Master. Ambos cumprem prisão preventiva em Brasília desde março de 2026, completando cerca de seis meses detidos antes destas oitivas formais, viabilizadas após a concessão de vista dos autos aos advogados em 25 de setembro.

Estrutura paralela e espionagem institucional

As apurações policiais revelam que a engrenagem mantida por Vorcaro se dividia em duas alas especializadas para garantir blindagem e poder de intimidação. De um lado, o núcleo denominado “A Turma” atuava no plano físico, sendo encarregado de perseguições ostensivas e ameaças diretas a profissionais de imprensa. De outro, a célula conhecida como “Os Meninos” operava no ambiente digital por meio de grampos telefônicos clandestinos, ataques cibernéticos e derrubada direcionada de perfis nas redes sociais, buscando sufocar qualquer exposição negativa contra o banqueiro.

O aspecto mais alarmante do caso envolve a violação da soberania de dados do próprio Estado brasileiro. A PF reuniu indícios de invasões coordenadas aos sistemas sigilosos do Ministério Público Federal (MPF), da própria Polícia Federal e até da Interpol. O propósito dessas incursões hackers era obter informações privilegiadas com antecedência para frustrar operações policiais em andamento, resguardando os interesses do controlador do banco e desestabilizando investigações oficiais legítimas.

Defesa aponta negócios e nega crimes

Diante do cerco, Henrique Vorcaro buscou articular sua defesa por meio de uma carta encaminhada diretamente ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, o pai do empresário rejeitou qualquer envolvimento nos delitos apurados e argumentou que os repasses financeiros sob escrutínio decorrem exclusivamente de transações imobiliárias regulares. “Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso”, afirmou aos autos para tentar desvincular seu patrimônio das ações ilegais.

No cenário institucional, quem mais perde com o caso é a integridade das bases de segurança pública, expostas a invasões privadas, além dos alvos civis e jornalistas que sofreram perseguições. Por outro lado, o avanço da corporação representa uma resposta necessária do Estado de Direito contra milícias cibernéticas. Resta saber, contudo, a extensão total dos arquivos interceptados na Interpol e no MPF e se outras figuras do meio corporativo financiaram a infraestrutura dos grupos.

O que está em jogo: A conclusão do relatório pela Polícia Federal definirá se Daniel e Henrique Vorcaro serão formalmente indiciados por crimes cibernéticos, organização criminosa e obstrução de justiça, encaminhando o caso para denúncia do Ministério Público Federal. Cabe agora ao STF avaliar os pedidos da defesa após o término das oitivas e decidir sobre a manutenção da prisão preventiva dos investigados.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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