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Moraes e chefe da PF têm reunião secreta no STF

Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues reuniram-se fora da agenda no STF em meio à crise institucional e investigações envolvendo o Banco Master.

Por Redação Ponto FixoPublicado 07/10/2026 às 19h02· 3 min de leitura
Moraes e chefe da PF têm reunião secreta no STF
Foto: Marcelo Camargo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou uma reunião fora da agenda oficial com a cúpula da Polícia Federal na sede da Corte, em Brasília. O encontro ocorreu nesta terça-feira, 6, reunindo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa, e o delegado Denis de Carli. A realização do diálogo nos bastidores acontece em um dos momentos de maior tensão entre os magistrados do STF e a polícia judiciária, levantando questionamentos sobre a transparência institucional e o devido processo legal.

O encontro soma-se a um histórico recente de atritos entre os próprios integrantes da Suprema Corte. Cerca de um mês antes, em 8 de setembro, Andrei Rodrigues e Leandro Almada haviam sido afastados cautelarmente de suas funções por determinação do ministro André Mendonça. A decisão decorreu da constatação de que a PF havia produzido relatórios de inteligência sobre a atuação do próprio Mendonça. Os documentos, elaborados entre 3 e 31 de agosto, foram requisitados por Moraes dentro do Inquérito das Fake News e posteriormente usados para acionar o presidente do STF, Edson Fachin, sob alegações de suposto abuso de autoridade nas apurações sobre o Banco Master e fraudes no INSS. Embora o afastamento tenha durado apenas um dia após intervenções no Supremo, a cúpula policial permaneceu sob forte escrutínio.

Relações sob suspeita no caso Master

As conexões entre a cúpula da Polícia Federal e o Supremo ganharam contornos ainda mais delicados com os desdobramentos da investigação sobre o Banco Master, anteriormente controlado por Daniel Vorcaro — atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Registros enviados à CPMI do INSS revelaram que Moraes e Andrei Rodrigues participaram, em 25 de abril de 2024, de uma confraternização com degustação de bebidas ao lado de Vorcaro e de outras cerca de 40 autoridades no George Club, em Londres, durante o 1º Fórum Jurídico — Brasil de Ideias, evento patrocinado pela instituição financeira.

O aprofundamento das apurações atingiu o ápice quando André Mendonça retirou o sigilo de mensagens extraídas do telefone de Daniel Vorcaro em 1º de setembro. O material expôs comunicações atribuídas ao banqueiro com um número telefônico associado a Moraes, inclusive nos dias antecedentes à sua prisão em novembro de 2025, além de pedidos para que intermediários contatassem o próprio Andrei Rodrigues. Embora a perícia da PF não tenha imputado crime de forma direta às autoridades pelo teor das mensagens até o momento, as revelações abalaram a coesão interna do tribunal.

Cobranças formais e os próximos passos

Diante do agravamento da crise no Judiciário, o presidente da Corte, Edson Fachin, interveio diretamente exigindo rigor. Em ofício expedido no dia 2 de outubro, Fachin determinou que a Polícia Federal entregue um relatório minucioso com a relação de todas as autoridades públicas citadas nos arquivos apreendidos, enfatizando que dará os encaminhamentos regimentais cabíveis “sem exceção de pessoa”. O próximo passo formal estabelecido é uma reunião entre Fachin e Andrei Rodrigues agendada para o dia 13 de outubro, data em que a listagem com os nomes de ministros mencionados deverá ser apresentada oficialmente.

Apesar da gravidade do caso, diversas pontas soltas permanecem sem resposta: ainda não se sabe qual foi o teor exato da conversa a portas fechadas entre Moraes e a cúpula da PF nesta terça-feira, quais justificativas institucionais embasaram o encontro fora da agenda pública e até que ponto os ministros citados poderão ser alvo de apurações formais pela Procuradoria-Geral da República ou pelo plenário da Corte.

O que está em jogo: o desfecho da entrega do relatório de Andrei Rodrigues a Edson Fachin no dia 13 de outubro definirá se ministros do STF e chefes da PF enfrentarão procedimentos disciplinares formais ou inquéritos sobre suposta interferência nas apurações do Banco Master.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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