Incêndio na Diretoria de Inovação da UFPE destrói estudos sobre câncer e covid-19. É o terceiro episódio registrado na universidade em oito dias.

Um incêndio de grandes proporções atingiu o edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado na Zona Oeste de Recife, na noite de uma quarta-feira, 7 de outubro. A estrutura consumida pelas chamas abrigava laboratórios fundamentais de áreas como química, biologia, farmácia e computação, além de iniciativas do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. Para conter o avanço do fogo no pavimento superior do prédio, vizinho à Casa do Estudante, o Corpo de Bombeiros mobilizou uma força-tarefa composta por 25 profissionais e sete viaturas operacionais. Apesar da magnitude da ocorrência, não foram registradas vítimas ou pessoas feridas.
Rastro de três sinistros em oito dias
O incidente recente ganha contornos alarmantes quando inserido em uma linha do tempo recente da própria instituição de ensino superior. O sinistro marca o terceiro incêndio nas dependências da universidade em um intervalo de apenas oito dias, o que expõe uma vulnerabilidade sem precedentes na infraestrutura predial pública. O primeiro caso ocorreu em 30 de setembro, danificando um laboratório do Departamento de Física sob a suspeita inicial de pane em um forno mufla — aparelho voltado a processos em temperaturas extremas. Poucos dias depois, no domingo, 4 de outubro, outra ocorrência foi confirmada no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências, também provocando perdas patrimoniais.
O impacto prático deste último episódio recai brutalmente sobre o meio científico e os recursos do contribuinte. O reitor Alfredo Gomes confirmou a destruição irreversível de amostras e instrumentos caros. “Perdemos uma quantidade considerável de equipamentos e amostras ligadas a dissertações e teses”, relatou o gestor. Dentre o acervo consumido pelas chamas estavam projetos e insumos de longa data direcionados à pesquisa sobre o câncer, obesidade, covid-19, autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Do lado perdedor imediato estão pós-graduandos e mestrandos, que veem anos de trabalho empírico e recursos públicos evaporarem, enquanto a sociedade perde o desenvolvimento de tratamentos e avanços médicos de ponta.
Investigações e lacunas sobre a infraestrutura
A universidade e as autoridades competentes agora enfrentam o desafio formal de esclarecer as origens do fogo. Os próximos passos institucionais exigem a conclusão dos laudos técnicos periciais pelo Corpo de Bombeiros e peritos criminais, os quais definirão a causa básica do fogo e mensurarão a extensão financeira dos prejuízos materiais acumulados. Contudo, lacunas fundamentais permanecem abertas: a administração da UFPE ainda não sabe informar o que iniciou o fogo e nem se há alguma correlação sistêmica, seja por sobrecarga na rede elétrica envelhecida ou falhas estruturais de manutenção, entre este incidente e as duas ocorrências imediatamente anteriores registradas no mesmo campus.
O que está em jogo: a integridade do patrimônio público e o destino das pesquisas do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica da UFPE, que dependem agora de suporte emergencial para que anos de estudos de pós-graduação não sejam anulados por completo. O caso exige que a reitoria de Alfredo Gomes apresente com urgência o laudo oficial dos Bombeiros e revise os protocolos de segurança dos prédios para impedir que um quarto sinistro paralise as atividades científicas no Recife.
Com informacoes de revistaoeste.com.