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Haddad não conhece Selo Ouro do MEC em debate

Ex-ministro da Educação foi confrontado por Tarcísio sobre premiação federal e admitiu desconhecer métrica durante debate em São Paulo.

Por Redação Ponto FixoPublicado 30/09/2026 às 10h02· 3 min de leitura
Haddad não conhece Selo Ouro do MEC em debate
Foto: Reprodução

O debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, transmitido pela TV Globo em 29 de setembro de 2026, expôs um momento embaraçoso para o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT). Ao tentar atacar a gestão educacional do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad foi enquadrado com uma pergunta direta sobre a recente premiação obtida pelo estado no âmbito federal e admitiu desconhecer a iniciativa: “Eu não sei do que você está falando”. O episódio chamou a atenção por envolver alguém que chefiou o Ministério da Educação por sete anos, entre 2005 e 2012, sob as presidências de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A discussão começou quando Haddad afirmou que o governo paulista falhava na alfabetização de crianças na idade correta. Em resposta imediata, Tarcísio destacou o desempenho estadual na avaliação do governo federal: “Se não está funcionando, por que fomos Selo Ouro do MEC neste ano? Crescemos ou não crescemos, melhoramos ou não melhoramos? Por que ganhamos o Selo Ouro, então?”. Diante da surpresa de Haddad, que insistiu em desconhecer o termo, o atual governador questionou sua familiaridade com as políticas recentes da própria pasta que comandou no passado.

Origem e regras do Selo Ouro

O Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização foi instituído por meio do Decreto nº 12.191, em 20 de setembro de 2024, dentro das diretrizes do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), e posteriormente consolidado pela Lei nº 15.247 de 2025. A política foi desenhada para certificar e incentivar secretarias de educação a cumprirem a meta de alfabetizar 100% das crianças brasileiras até o término do 2º ano do ensino fundamental até 2030, além de recuperar o atraso pedagógico de alunos do 3º ao 5º ano.

Para dar dimensão ao programa, a edição de 2026 contou com 4.872 redes de ensino inscritas em todo o país. Desse universo participante, 97% alcançaram alguma distinção: foram concedidos 2.285 Selos Ouro, 1.896 Selos Prata e 547 Selos Bronze. Em termos práticos, mais de 45% de todas as redes cadastradas atingiram a categoria máxima recebida por São Paulo. Apesar disso, Haddad tentou contrapor o reconhecimento afirmando que a taxa paulista de alfabetização na idade certa estava em 61%, abaixo da média brasileira divulgada de 66%.

Divergências sobre Pisa e Ideb

O confronto entre os postulantes ao Palácio dos Bandeirantes seguiu centrado no uso de métricas distintas para avaliar a qualidade do ensino público. Haddad sustentou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio paulista atingiu o pior patamar histórico recente sob a administração atual. Em contraponto, Tarcísio de Freitas recorreu aos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), destacando que os estudantes de 15 anos do estado apresentaram avanço expressivo em leitura, matemática e ciências, descolando-se positivamente dos índices médios do Brasil.

Haddad rebateu relembrando seu período à frente da Prefeitura de São Paulo, quando afirmou ter criado 101 mil vagas na educação infantil entre creches e pré-escolas, e prometeu reformular o ensino médio. O debate, contudo, deixou sem esclarecimento técnico como os diferentes diagnósticos — o avanço no Pisa e o Selo Ouro frente às críticas sobre o Ideb e o percentual de alfabetização apontado pelo petista — se cruzam na composição real do rendimento escolar paulista.

O que está em jogo: A disputa expõe o embate direto entre o modelo de gestão educacional de Tarcísio de Freitas, focado em parcerias e metas de avaliação internacional, e a proposta de reestruturação do ensino médio defendida por Fernando Haddad. Com a aproximação do primeiro turno das eleições de 2026, resta ao eleitorado paulista acompanhar se os números do Pisa e o Selo Ouro do MEC sustentarão o discurso de eficiência da atual administração estadual nas urnas.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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