Investigação da Polícia Federal mira proposta milionária de remédios à base de canabidiol sem licitação enviada ao Palácio do Planalto.

A Polícia Federal conduz uma investigação sobre uma proposta contratual de até R$ 626 milhões destinada ao fornecimento de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. O documento com a minuta do acordo foi encaminhado pela empresária e lobista Roberta Luchsinger diretamente a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que atuava como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O plano previa a entrega de 1,2 milhão de frascos distribuídos em 36 tipos de formulações farmacêuticas, sob a possibilidade de uma contratação direta sem a realização de processo licitatório. Apesar do envio da minuta, a transação não chegou a ser concretizada pelos órgãos da administração pública. Ao ser questionado pelos policiais federais, Marcola confirmou que recebeu a papelada, porém classificou o procedimento de envio como inadequado e asseverou não ter intermediado ou favorecido as conversas junto ao Ministério da Saúde.
As investigações apontam que Roberta Luchsinger possui relações de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e atuava para articular interesses comerciais ligados ao mercado de cannabis medicinal nas dependências do governo federal. Consta na apuração que a lobista teria sido contratada para as tratativas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS. Os investigadores agora periciam mensagens e documentos apreendidos para averiguar a extensão do envolvimento de Lulinha e de outros eventuais participantes no caso.
Em manifestação oficial, o Ministério da Saúde declarou que nunca celebrou qualquer contrato com a companhia em questão e salientou que os itens discutidos na minuta sequer foram integrados à lista oficial do Sistema Único de Saúde (SUS). Paralelamente, as defesas dos citados no inquérito rechaçam a existência de quaisquer práticas ilegais e têm contestado publicamente a exposição e o vazamento de detalhes das apurações policiais.
O que esta em jogo: A apuração evidencia a persistente vulnerabilidade do aparato estatal a investidas de intermediários e lobistas que buscam atalhos na máquina pública para fechar contratos vultosos com dispensa de licitação. Sob a ótica da boa gestão pública, a integridade no uso dos recursos dos pagadores de impostos exige mecanismos rigorosos de governança e transparência, impedindo que relações interpessoais ou proximidades com o núcleo do poder influenciem o direcionamento das compras públicas na área da saúde.
Com informacoes de revistaoeste.com.