Ex-tesoureiro do PT minimizou denúncias de corrupção, criticou o ex-ministro Joaquim Barbosa e revelou intenção de disputar vaga na Câmara dos Deputados.

O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares, disparou fortes críticas contra os delatores e figuras centrais que atuaram na apuração dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país. Em entrevista concedida ao portal Poder360 nesta sexta-feira, 21, o petista afirmou categoricamente que os colaboradores e delatores que expuseram os esquemas desbaratados pela Operação Lava Jato estão agora naquilo que classificou como a “lata de lixo da História”.
Durante a sua fala, Soares relembrou nomes que marcaram o cenário político e jurídico nacional nas últimas duas décadas, como o ex-deputado federal Roberto Jefferson — responsável por denunciar o esquema do Mensalão em 2005 — e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que presidiu e relatou o processo da Ação Penal 470. “Onde está Roberto Jefferson hoje? Qual é o seu futuro? Onde está Joaquim Barbosa? Onde estão os dedos-duros da Lava Jato? Estão na lata de lixo da História”, disparou o ex-dirigente partidário, minimizando as provas e confissões obtidas nos processos.
Historicamente, Delúbio Soares ocupou a tesouraria do PT e foi apontado como peça central na engenharia financeira de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato petista. Por sua atuação no Mensalão, acabou condenado pelo STF a seis anos e oito meses de reclusão por corrupção ativa, cumprindo parte da pena até ser beneficiado por um indulto natalino concedido pela então presidente Dilma Rousseff em 2016. Posteriormente, foi alvo da Operação Lava Jato e preso em 2018 por lavagem de dinheiro. Essa condenação, contudo, foi anulada em 2023 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o argumento técnico de incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, sendo o caso remetido à Justiça Eleitoral, onde a punibilidade acabou extinta por prescrição — sem que houvesse julgamento de mérito que o declarasse inocente.
Apesar do tom desdenhoso empregado contra as delações premiadas, os acordos de colaboração e de leniência firmados durante a Operação Lava Jato desempenharam papel crucial na elucidação de desvios bilionários e na recuperação de recursos públicos. De acordo com dados do relatório de sustentabilidade da Petrobras relativo ao ano de 2025, a estatal brasileira já conseguiu recuperar cerca de R$ 8 bilhões por meio de repatriações e dos mecanismos de cooperação judicial que Delúbio agora ataca publicamente.
Além de mirar os delatores, o petista também fez declarações controversas sobre a aposentadoria precoce de Joaquim Barbosa da Suprema Corte, alegando que o ex-ministro teria renunciado ao cargo por supostos erros nos julgamentos — embora o magistrado tenha se aposentado oficialmente em julho de 2014, aos 59 anos, citando razões pessoais. Delúbio Soares, que retornou formalmente aos quadros do PT em 2011 após ter sido expulso em 2005, anunciou ainda o desejo de pedir revisão criminal do caso do Mensalão no futuro e confirmou que pretende disputar uma cadeira de deputado federal pelo Estado de Goiás.
O que esta em jogo: A postura de Delúbio Soares reflete uma estratégia recorrente de narrativas políticas que tentam reescrever o histórico de escândalos comprovados de corrupção, transformando nulidades processuais e prescrições técnicas em supostos atestados de inocência moral. O movimento de reabilitação política de figuras condenadas no passado desafia a memória institucional do país e evidencia as fragilidades do sistema de justiça criminal brasileiro, no qual brechas regimentais frequentemente anulam anos de investigações e apagações de penas, permitindo que agentes antes responsabilizados por desvios retornem à disputa direta pelo poder público.
Com informacoes de revistaoeste.com.