Seccional fluminense da OAB publica carta em apoio a Rodrigo Fux após vazamento de diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entenda o caso.

A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu uma carta formal de solidariedade em defesa do advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação da entidade de classe ocorreu após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal que revelam contatos entre Rodrigo e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master. O posicionamento institucional busca blindar a atuação do profissional em meio à repercussão dos diálogos na imprensa e nos meios jurídicos.
Assinada pela presidente da seccional fluminense, Ana Tereza Basilio, por membros da diretoria, conselheiros e pelo ex-presidente nacional da entidade Felipe Santa Cruz, a nota sustenta que a conduta de Rodrigo Fux esteve estritamente alinhada às balizas éticas da advocacia. Para a entidade, o diálogo mantido com o empresário representou apenas uma prospecção de trabalho legítima, sem qualquer desvio ético. O documento destaca que a busca de clientes integra o exercício regular da profissão e não pode ser tratada, por si só, como elemento de suspeição institucional.
Teor das conversas e defesa do escritório
Os registros sob análise da Polícia Federal indicam conversas mantidas no final de 2024. Em 4 de dezembro daquele ano, Rodrigo chegou a convidar o ex-banqueiro para um café em seu escritório em Brasília e, ao ajustar o horário, usou a expressão “Tapete vermelho, irmão”, embora a reunião não tenha se concretizado. Os relatórios também apontam o envio do e-mail de uma secretária do ministro Luiz Fux para tratar de um evento internacional em Londres e uma resposta afirmativa de Rodrigo a um pedido de assistência formulado por Vorcaro em novembro de 2024, na qual declarou: “Será um prazer, se eu puder ajudar”.
Em resposta pública aos vazamentos, a banca Fux Advogados enfatizou que jamais prestou serviços jurídicos, celebrou contratos formais ou recebeu qualquer remuneração financeira de Daniel Vorcaro ou do Banco Master. O escritório explicou que as tratativas se resumiram a uma aproximação comercial rotineira de mercado que não gerou frutos contratuais. O caso ocorre em um cenário no qual as relações e conexões entre grandes agentes econômicos sob escrutínio judicial e escritórios ligados a parentes de magistrados de cortes superiores são alvo de constante acompanhamento social.
Pontas em aberto e desdobramentos
No centro do embate, os defensores da manifestação da OAB-RJ argumentam que prerrogativas profissionais não podem ser criminalizadas pelo parentesco de advogados com membros do Judiciário. Por outro lado, críticos apontam a sensibilidade ética decorrente da assimetria de poder quando parentes de ministros prospectam clientes de alto impacto financeiro. O que a apuração pública ainda não esclarece de forma cabal é a amplitude total das investidas do ex-banqueiro junto a círculos jurídicos em Brasília e se haverá desdobramentos adicionais a partir de outros dados sob posse da Polícia Federal.
O que está em jogo: a blindagem institucional das prerrogativas da advocacia frente ao escrutínio sobre o acesso de grandes empresários ao entorno de ministros do STF. Na prática, o posicionamento da OAB-RJ busca assegurar que a atuação comercial de Rodrigo Fux permaneça no âmbito disciplinar regular, cabendo observar agora eventuais relatórios conclusivos da Polícia Federal sobre o material apreendido de Daniel Vorcaro e suas repercussões nos tribunais superiores.
Com informacoes de revistaoeste.com.