Descoberta de ossos de Diplodocus na Espanha com 150 milhões de anos indica que dinossauros migraram da América do Norte para a Europa.

Em um achado histórico para a paleontologia internacional, pesquisadores identificaram na Espanha os primeiros fósseis do gênero Diplodocus fora da América do Norte. Os restos foram escavados no sítio de La Tejería, localizado no município de El Castellar, na província de Teruel. Datado em cerca de 150 milhões de anos, o conjunto inclui 14 vértebras caudais e diversos ossos em formato de ‘V’ conhecidos como chevrons, estruturas fundamentais que davam sustentação à cauda do animal.
Rotas terrestres no Jurássico Superior
Historicamente, todos os registros fósseis confirmados de Diplodocus estavam restritos à famosa Formação Morrison, no oeste dos Estados Unidos. Esse gigante herbívoro, que viveu durante o período Jurássico Superior, podia atingir cerca de 25 metros de comprimento — uma dimensão colossal equivalente ao comprimento de quase dois ônibus urbanos enfileirados. A presença de um exemplar dessa mesma linhagem em solo europeu redefine a compreensão sobre a dispersão da fauna pré-histórica no planeta.
O estudo, publicado em 14 de setembro, oferece sustentação à tese de que pontes terrestres temporárias conectaram massas continentais que hoje estão amplamente afastadas. Há 150 milhões de anos, o oceano Atlântico ainda estava em estágio inicial de formação e os continentes passavam por um processo gradual de separação. Oscilações significativas no nível do mar teriam permitido a passagem desses imensos animais terrestres entre o que hoje são os territórios norte-americano e europeu.
Lacunas e preservação do acervo
A nova evidência beneficia diretamente o meio acadêmico e as instituições culturais europeias, fortalecendo a hipótese de que o continente abrigava uma diversidade de grandes saurópodes muito superior à documentada até então. Por outro lado, o avanço coloca em xeque antigos modelos biogeográficos que tratavam as populações de dinossauros da América do Norte e da Europa como ecossistemas completamente isolados durante o Jurássico. O material fóssil já se encontra sob guarda e exposto no Museu Aragonês de Paleontologia, em Teruel.
Apesar da confirmação anatômica das vértebras, a ciência ainda não determinou com exatidão qual foi a rota geográfica precisa utilizada por esses animais nem por quanto tempo essas conexões de terra firme permaneceram transitáveis antes da abertura definitiva do oceano. Investigações geológicas complementares em estratos ibéricos devem buscar novos fragmentos para esclarecer se houve uma população reprodutiva permanente estabelecida na Europa ou apenas migrações esporádicas.
O que está em jogo: a descoberta no sítio de La Tejería, em Teruel, obriga pesquisadores a revisar os mapas de dispersão do Jurássico Superior e amplia o acervo do Museu Aragonês de Paleontologia. Os próximos passos dependem de novas escavações na província espanhola para verificar se outros gêneros da Formação Morrison também cruzaram o Atlântico em formação.
Com informacoes de revistaoeste.com.