A direita avança na antiga Alemanha Oriental com a AfD liderando em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e impondo revés histórico à CDU de Merz.

A consolidação das forças conservadoras na antiga Alemanha Oriental ganhou um novo e expressivo capítulo neste domingo, 20. O partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), liderado regionalmente pelo candidato Leif-Erik Holm, despontou na liderança das eleições estaduais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pela emissora pública ARD, a legenda alcançou 37% da preferência do eleitorado, superando os 35,5% obtidos pelo tradicional Partido Social-Democrata (SPD).
Avanço histórico no leste alemão
O resultado no estado litorâneo, que possui cerca de 1,6 milhão de habitantes e relevante peso logístico com o porto de Rostock — responsável por sustentar cerca de 20 mil postos de trabalho —, confirma uma sólida tendência eleitoral na porção do país que integrou o bloco soviético até a reunificação de 1990. Trata-se da segunda vitória da legenda apenas no mês de setembro: no último dia 6, a AfD conquistou expressivos 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, assegurando quase metade do parlamento local ao preencher 39 das 83 cadeiras disponíveis.
Em contrapartida, o pleito representou uma derrota histórica para a União Democrata-Cristã (CDU), sigla do chanceler federal Friedrich Merz. A legenda governista obteve apenas 4,9% dos sufrágios, ficando abaixo do patamar mínimo de 5% da cláusula de barreira e perdendo a representação no parlamento regional. Merz classificou o episódio abertamente como um “desastre” institucional e assumiu a responsabilidade pelo revés, embora tenha descartado renunciar à liderança nacional do governo.
Plataforma econômica e relações externas
Na prática, o avanço da AfD traduz a busca dos eleitores por respostas firmes contra a desordem migratória e o peso do Estado sobre a iniciativa privada. O programa da sigla sustenta pautas caras às liberdades econômicas e à soberania, defendendo a redução de impostos, o corte drástico da burocracia estatal, o controle rigoroso de fronteiras e a deportação de estrangeiros em situação irregular. Na área de infraestrutura e energia, a legenda advoga pela volta da matriz nuclear, manutenção do carvão e suspensão de subsídios a fontes renováveis, além de propor a saída da Alemanha da zona do euro e a neutralidade ucraniana fora da Otan e da União Europeia.
Apesar da vitória numérica nas urnas, resta saber se a AfD conseguirá de fato construir alianças para assumir o Executivo estadual ou se os demais partidos tentarão costurar um cordão de isolamento para manter o SPD no poder. O que está em jogo: a governabilidade de Friedrich Merz em Berlim, que entra em rota de fragilização enquanto a AfD se consolida como força majoritária no leste alemão, dependendo agora das articulações no parlamento de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental para definir se Leif-Erik Holm assumirá o governo ou se haverá uma coalizão para barrar o avanço da direita.
Com informacoes de revistaoeste.com.