Escritório de Viviane Barci confirma uso de aeronave ligada a Daniel Vorcaro com presença do ministro Alexandre de Moraes.

O escritório Barci de Moraes, de titularidade da advogada Viviane Barci de Moraes, confirmou que utilizou serviços de táxi aéreo operados pela empresa Prime Aviation, companhia que teve como sócio o empresário e ex-controlador do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação da banca advocatícia ocorreu após a veiculação de registros em vídeo divulgados pelo jornal O Globo, que flagraram o casal desembarcando de uma aeronave executiva ligada à referida frota.
Antecedentes e detalhes das viagens
As imagens que vieram a público foram gravadas em agosto de 2025, período em que Daniel Vorcaro ainda integrava formalmente o quadro societário da empresa aérea — vínculo que perdurou até setembro de 2025. O episódio ganha contornos relevantes na linha do tempo institucional pelo fato de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhava sua esposa em determinados trajetos, fato expressamente reconhecido pela assessoria do escritório de advocacia após a repercussão das filmagens.
Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes argumentou que a contratação dos voos se deu de maneira estritamente técnica e operacional diretamente com a empresa de fretamento, a qual detinha total autonomia na definição das aeronaves mobilizadas. A banca ressaltou ainda que “em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório”, além de enfatizar que não possui contrato de prestação de serviços jurídicos com a Prime Aviation e que nunca adquiriu cotas de participação na referida operadora.
Interrogações e desdobramentos éticos
No cenário político e jurídico, o episódio aprofunda a vigilância pública sobre a separação entre a atividade profissional privada de familiares de magistrados da Suprema Corte e a rotina dos próprios ministros. De um lado, setores da oposição e críticos do ativismo judicial apontam a necessidade de maior escrutínio sobre possíveis conflitos de interesse e a transparência em relações com operadores do sistema financeiro; de outro, a defesa do escritório sustenta a regularidade das contratações no livre mercado de aviação executiva privada, sem concessões ou privilégios indevidos.
Apesar dos esclarecimentos prestados sobre a dinâmica das contratações, permanecem lacunas que a nota do escritório não detalhou, tais como o número exato de viagens realizadas na referida frota, os destinos contemplados e a discriminação financeira completa dos custos operacionais despendidos nessas viagens conjuntas. Resta observar se os órgãos de controle externo ou o próprio tribunal serão formalmente acionados para avaliar eventuais repercussões regimentais.
O que está em jogo: a confirmação do uso de jatos ligados a Daniel Vorcaro por Alexandre de Moraes e Viviane Barci eleva a pressão sobre o STF quanto aos limites éticos de magistrados em viagens privadas. A atenção agora se volta a possíveis requerimentos no Senado Federal ou representações que cobrem notas fiscais e relatórios de voo da Prime Aviation.
Com informacoes de revistaoeste.com.