Perícia em telefones do ex-controlador do Banco Master revelou milhares de arquivos íntimos e gerou impasse no Supremo Tribunal Federal.

A perícia realizada pela Polícia Federal nos aparelhos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master, trouxe à tona um volume expressivo de dados de teor estritamente íntimo. Os peritos extraíram cerca de 5 mil itens catalogados sob a classificação de “Score nudez”, abrangendo desde fotografias pessoais até gravações de sexo explícito. O material integra um acervo digital massivo que soma cerca de 500 gigabytes de informações, extraídas após a apreensão dos dispositivos ocorrida em novembro de 2025, época em que o empresário foi detido e encaminhado ao complexo da Papudinha, em Brasília.
Para alcançar e catalogar esse montante — que equivale a centenas de milhares de documentos e registros multimídia arquivados ao longo de meses —, a corporação utilizou o software IPED, ferramenta especializada no processamento forense de evidências digitais. Além da indexação padrão, os peritos federais recorreram a métodos avançados de recuperação técnica para resgatar arquivos que haviam sido intencionalmente apagados ou armazenados sob pastas com senhas de proteção, separando as mensagens e áudios do material pornográfico.
Disputa interna entre ministros da Corte
A existência do acervo gerou forte atrito nos bastidores do Supremo Tribunal Federal quanto aos procedimentos de custódia e acesso às provas. Diante da demora do presidente da Corte, Edson Fachin, em autorizar o espelhamento completo dos dados, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes determinaram diretamente à Polícia Federal o envio imediato das cópias, sem aguardar uma deliberação formal da presidência. Cópias idênticas do material foram então disponibilizadas a esses três magistrados e também a Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, enquanto os aparelhos originais continuam resguardados na cadeia de custódia da PF.
A restrição severa de acesso determinada pelos gabinetes visa separar o que possui relevância criminal estrita daquilo que pertence à intimidade do investigado, evitando vazamentos e exposições indevidas. Em investigações anteriores de grande porte, a apreensão de dados telefônicos costuma provocar debates sobre os limites do sigilo e o risco de vazamentos seletivos. Enquanto os investigadores ganham acesso a contatos do empresário com autoridades dos Três Poderes que fundamentam novas etapas do inquérito, a corte enfrenta o ônus de gerenciar conteúdos altamente sensíveis e sem relação jurídica com as fraudes apuradas.
Indefinições e próximos passos processuais
Apesar da remessa dos arquivos aos gabinetes, o tribunal ainda não estipulou nenhum prazo para a conclusão da triagem detalhada nem definiu quais medidas concretas serão autorizadas a partir do material conexo. Permanece em aberto, sobretudo, a identidade das pessoas que figuram nas imagens íntimas resgatadas e a extensão exata dos diálogos mantidos entre o ex-controlador do banco e membros da cúpula dos Três Poderes. Os magistrados afirmam que pretendem filtrar o material para garantir que apenas indícios factuais de ilícitos financeiros e administrativos sejam anexados aos autos públicos do processo.
O que está em jogo: os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques precisam concluir a triagem de 500 gigabytes de arquivos para determinar quais diálogos de Daniel Vorcaro com autoridades virarão novos inquéritos e como blindar as 5 mil imagens íntimas de vazamentos na Papudinha.
Com informacoes de revistaoeste.com.