Imagens mostram o ministro do STF e Viviane Barci desembarcando de aeronave ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, desmentindo declaração oficial anterior.

Um novo registro em vídeo colocou no centro dos holofotes as relações entre membros da mais alta corte do país e o meio empresarial. Imagens gravadas em 22 de agosto de 2025 revelam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhado de sua mulher, a advogada Viviane Barci, no momento em que desembarcavam de um jatinho particular no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A aeronave em questão, um modelo Legacy 650 com prefixo PP-NLR, é apontada por investigações e reportagens como ligada diretamente a empresas de Daniel Vorcaro, ex-controlador do antigo Banco Master.
O flagrante audiovisual cria um forte contraste com as manifestações oficiais emitidas anteriormente pela assessoria do magistrado. Em março daquele ano, por meio de uma nota formal de seu gabinete, Moraes havia asseverado de maneira taxativa que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. No entanto, além do registro em vídeo, relatórios prévios de apuração já haviam mapeado a realização de pelo menos oito voos efetuados pelo ministro em aeronaves pertencentes ou controladas pela estrutura empresarial do banqueiro no intervalo entre maio e outubro de 2025.
O jatinho registrado no Santos Dumont também figura expressamente nas diligências conduzidas pela Polícia Federal que perscrutam tratativas financeiras entre as partes. Os investigadores identificaram que, em maio de 2025, houve a negociação de um segundo contrato, avaliado em R$ 50 milhões, envolvendo a banca de advocacia Barci de Moraes e uma empresa associada a Vorcaro. O arranjo em discussão previa que frações do montante fossem quitadas por meio da cessão de cotas de aeronaves, incluindo helicópteros e o próprio Legacy 650. Em sua defesa, o escritório de advocacia afirmou que essa proposta de R$ 50 milhões não chegou a ser concretizada ou assinada, tendo sido formalmente recusada.
A despeito da negativa contratual apresentada pela banca, dados extraídos do aparelho celular de Daniel Vorcaro pelos peritos da PF indicam um fluxo contínuo de utilização dos meios de transporte aéreo. Em diálogos registrados em 16 de julho de 2025, o ex-banqueiro indagou a Marcus Vinicius da Mata, responsável pela PrimeYou — gestora da frota —, se Moraes e sua esposa estavam usufruindo dos equipamentos. A resposta do executivo foi categórica ao atestar a liberação e afirmar que o casal “já usaram aviões e helicópteros”. Em outra mensagem apreendida, a própria Viviane Barci elogiou a qualidade do atendimento prestado pela empresa, manifestando satisfação com os serviços.
Mesmo diante do surgimento das imagens e do teor das conversas recuperadas pela perícia, o ministro Alexandre de Moraes manteve integralmente seu posicionamento prévio, reiterando que nunca utilizou aeronaves de propriedade de Vorcaro. Por sua vez, o escritório Barci de Moraes argumentou que utilizou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation estritamente sob parâmetros comerciais operacionais, rechaçando a existência de qualquer tipo de vínculo pessoal ou favorecimento por parte do empresário. Na época dos voos, o Banco Master já se encontrava sob monitoramento do Banco Central devido a inconsistências em operações com o Banco de Brasília.
O que esta em jogo: A revelação de registros que confrontam declarações públicas de integrantes da cúpula do Judiciário reacende o debate sobre os limites éticos, a transparência e a higidez institucional das cortes superiores no Brasil. A proximidade entre figuras detentoras de poder decisório no Estado e agentes do mercado financeiro que enfrentam investigações em órgãos reguladores e policiais reforça as cobranças da sociedade e do meio jurídico por padrões mais rígidos de conduta, sob pena de desgaste contínuo da confiança nas instituições democráticas e no império da lei.
Com informacoes de revistaoeste.com.