Ex-ministra e candidata ao Senado pede afastamento temporário de Moraes para esclarecer ligações com Daniel Vorcaro e cobra critérios iguais na Corte.

Em uma manifestação que surpreendeu o cenário político nacional, a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede-SP), candidata ao Senado Federal pelo Estado de São Paulo, posicionou-se publicamente a favor do afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu após a revelação de mensagens envolvendo o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, episódio que gerou forte repercussão nos bastidores dos Três Poderes.
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, a postulante à cadeira paulista no Senado enfatizou a necessidade de transparência institucional absoluta. Marina classificou os diálogos como “gravíssimos” e ressaltou que uma figura com a responsabilidade constitucional de Moraes não pode deixar dúvidas sobre sua conduta. “As revelações sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro são gravíssimas e precisam ser esclarecidas. O ministro Alexandre de Moraes precisa se explicar com toda a transparência que a gravidade dos fatos exige”, declarou.
Segundo a ex-senadora, a medida cautelar de afastamento é a alternativa mais equilibrada para salvaguardar a imagem do Poder Judiciário e garantir que a apuração ocorra sem suspeições. “Considero que o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes, seguindo o devido processo institucional, pode ser a melhor maneira de ele exercer plenamente seu direito de defesa e, ao mesmo tempo, preservar o STF”, defendeu Marina, reforçando o princípio basilar de que ninguém está acima da lei republicana.
Apesar da cobrança direta a Moraes, o posicionamento da candidata também trouxe críticas contundentes ao ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte. Após Mendonça pedir a abertura de uma apuração formal sobre a conduta de Moraes devido aos vazamentos, Moraes respondeu incluindo o colega no Inquérito das Fake News — procedimento instaurado de ofício pelo tribunal em 2019. A crise interna levou o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, a intervir, retirando a determinação de Moraes do referido inquérito e redistribuindo-a para um procedimento geral destinado à análise global do caso Master.
Marina questionou o que considerou falta de isonomia de Mendonça ao apontar apurações correlatas que permanecem sob reserva judicial. “O caso do filme sobre Jair Bolsonaro, envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, continua sob sigilo. Por que o ministro Mendonça não adotou ali o mesmo critério?”, indagou a candidata, referindo-se à produção cinematográfica Dark Horse. Ela concluiu afirmando que o fortalecimento democrático passa por uma “investigação séria, com devido respeito ao rito, transparência e regra igual para todos”.
O que esta em jogo: A pressão aberta de figuras ligadas à esquerda sobre a conduta de ministros do Supremo expõe o desgaste interno e a fragilização institucional do tribunal diante de conflitos de interesse e disputas de poder entre os próprios magistrados. O avanço dessas cobranças coloca em xeque a estabilidade do Judiciário e evidencia a urgência de freios, contrapesos e respeito estrito aos códigos de conduta para restaurar a credibilidade da Suprema Corte perante a sociedade brasileira.
Com informacoes de revistaoeste.com.