Líder da oposição no Senado condena pedido de investigação de Alexandre de Moraes contra André Mendonça e alerta para ameaça ao Estado de Direito.

O líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), manifestou duras críticas à recente investida do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o também ministro da Corte André Mendonça. Em nota oficial divulgada em uma quinta-feira, 3, o parlamentar potiguar apontou que o magistrado tem se valido do Inquérito 4.781 — popularmente conhecido como Inquérito das Fake News — para fins estritamente particulares, desvirtuando as funções jurisdicionais do mais alto tribunal do país.
Segundo a manifestação do senador, o procedimento instaurado ainda em 2019 atingiu contornos inaceitáveis de arbítrio ao longo dos anos. “Alexandre de Moraes transforma mais uma vez o Inquérito 4.781, aberto há sete anos e de limites cada vez mais elásticos, em instrumento de poder pessoal”, declarou Marinho. O foco do atrito decorre do fato de Mendonça estar à frente das apurações do caso Banco Master, processo que envolve mensagens e registros de contatos diretos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na avaliação do líder oposicionista, a tentativa de constranger um magistrado no exercício regular de suas funções fiscalizatórias representa uma ruptura evidente do equilíbrio institucional. Marinho classificou a ofensiva como uma “inversão intolerável de valores”, sublinhando que nenhuma autoridade da República, incluindo os membros da Suprema Corte, pode pairar acima da lei ou escapar do devido escrutínio institucional e republicano.
Aprofundando a crítica institucional, o parlamentar ressaltou a gravidade de se mobilizar a máquina investigativa de exceção para fins de blindagem. “Quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria”, afirmou, acrescentando que “usar o Inquérito das Fake News como escudo e instrumento de intimidação não protege o Supremo: corrói sua autoridade e transforma poder sem controle em ameaça ao próprio Estado de Direito”. Como desdobramento de sua postura, Marinho conclamou a população para mobilizações cívicas, pacíficas e democráticas no 7 de Setembro.
O que esta em jogo: A disputa expõe fraturas severas na cúpula do Judiciário brasileiro e reacende o debate sobre os limites e a perpetuação do Inquérito das Fake News, que tramita sem controle externo efetivo há anos. O episódio não apenas coloca em xeque a paridade de armas e a imparcialidade dos processos no STF, mas também aprofunda o desgaste da confiança pública na mais alta Corte, em um momento crucial em que a sociedade e o Congresso exigem transparência, freios e contrapesos e o estrito respeito às garantias constitucionais.
Com informacoes de revistaoeste.com.