Empresário projeta aumento de até 15% nos custos trabalhistas e alerta que proposta de alterar a jornada provocará alta generalizada de preços no comércio.

O empresário Luciano Hang, proprietário da rede varejista Havan, voltou a se manifestar com veemência contra a proposta que pretende extinguir o modelo de trabalho em escala 6×1 no Brasil. Classificando a iniciativa como uma “medida eleitoreira”, o fundador da companhia alertou que a eventual imposição do modelo 5×2 trará consequências severas para a atividade econômica, com um impacto direto estimado em cerca de 15% de aumento nos custos com a folha de pagamento das empresas.
As declarações do empresário foram feitas durante a recepção aos novos funcionários da 196ª unidade da Havan, inaugurada em Caldas Novas, Goiás. Hang enfatizou a importância da liberdade individual nas relações de emprego e sustentou que o trabalhador deveria ter a autonomia para definir a sua própria jornada e volume de trabalho. Para o executivo, o avanço dessa agenda no Congresso Nacional reflete um movimento populista voltado a obter vantagens políticas nas urnas às custas do setor produtivo.
A rede de lojas, que se aproxima da marca de 25 mil colaboradores diretos e projeta faturar R$ 22 bilhões no ano corrente, calcula que a obrigatoriedade de novas contratações para cobrir as escalas elevará substancialmente as despesas operacionais. Hang explicou que esse encarecimento na ponta produtiva será inevitavelmente repassado aos consumidores na forma de inflação. Segundo o empresário, com produtos subindo entre 10% e 15%, a promessa de redução de jornada sem corte de salários se converte em perda real de poder de compra para a própria população.
O posicionamento do empresário reforça críticas que ele já vinha tecendo desde o final de 2024, quando classificou o tema como um retrocesso que desestimula a produtividade. Hang reiterou seu entendimento de que as famílias brasileiras buscam, fundamentalmente, oportunidades de crescimento financeiro e prosperidade por meio do esforço e do trabalho, e não restrições artificiais que penalizem a competitividade e a geração de empregos formais no país.
O que esta em jogo: A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho caminha para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, necessitando do apoio de três quintos dos parlamentares (49 votos) em dois turnos. O debate coloca em lados opostos pautas sindicais de curto prazo e a sustentabilidade financeira do comércio e dos serviços, setores intensivos em mão de obra que temem o aumento do custo Brasil, a redução de vagas formais e a consequente escalada nos preços ao consumidor final.
Com informacoes de revistaoeste.com.