Ex-comandante da FAB reage a críticas de Flávio Bolsonaro e Marcel Van Hattem resgatando declarações históricas sobre 'vivandeiras alvoroçadas'.

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, que exerceu o comando da Força Aérea Brasileira entre 2021 e 2023, voltou ao centro do debate político ao responder de forma incisiva a parlamentares de oposição. O ex-comandante militar, que tem detalhado sua versão sobre os bastidores da crise institucional de 2022 por meio de entrevistas e publicação de livro, rebateu questionamentos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Marcel Van Hattem, utilizando comparações históricas de forte teor simbólico.
Interpelado por Flávio Bolsonaro acerca de um suposto engajamento junto à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-comandante classificou a insinuação como “leviandade”. Na ocasião, ironizou o parlamentar com referências esportivas que também atingiram o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do PL, que havia declarado que a direita não se curvaria a imposições e que precisariam “engolir” suas posições institucionais.
A resposta direcionada a Marcel Van Hattem gerou repercussão ainda maior nos círculos políticos. Baptista Júnior utilizou uma conhecida declaração do marechal Humberto de Alencar Castello Branco sobre golpistas civis e militares: “Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar”. O resgate da frase evidenciou o distanciamento mantido pelo militar em relação aos representantes eleitos da direita conservadora.
O episódio remete ao padrão histórico adotado por setores das Forças Armadas brasileiras desde a posse de Castello Branco em 15 de abril de 1964, quando o então mandatário afirmou perante o Congresso que o antídoto aos extremismos não seria “o nascimento de uma direita reacionária”, mas a condução de reformas pelo Estado. Essa mentalidade tecnocrática e positivista acabou resultando, à época, no expurgo e isolamento de figuras civis fundamentais da oposição ao governo deposto de João Goulart, a exemplo de Carlos Lacerda.
A atitude atual reflete a continuidade dessa postura institucional, na qual setores de comando buscam se posicionar acima das disputas ideológicas, desconsiderando a base social e política conservadora que historicamente atuou em defesa das prerrogativas e da dignidade da caserna. Ao recorrer ao tom de superioridade e a termos pejorativos, o antigo chefe da FAB reitera o abismo entre o oficialato tecnicista e as demandas legítimas da população civil por freios e contrapesos no sistema de poder.
O que esta em jogo: A postura adotada por lideranças militares da reserva expõe uma fratura duradoura entre o eleitorado conservador e as cúpulas das Forças Armadas. Ao classificar a cobrança democrática e constitucionalista dos civis como perturbação indevida, a cúpula militar sinaliza acomodação às novas correlações de força em Brasília, deixando os setores liberais e conservadores conscientes de que a preservação da liberdade e da soberania institucional depende exclusivamente da maturidade política do parlamento e da sociedade civil organizada, e não da tutela fardada.
Com informacoes de revistaoeste.com.