Enchentes devastadoras no Nepal deixam 788 mortos e mobilizam força-tarefa internacional em busca de mais de 3 mil desaparecidos.

A dimensão humana de uma catástrofe ganha contornos dramáticos nas paredes do Hospital Universitário TU, em Katmandu. O muro externo do complexo médico transformou-se no ponto focal da angústia de milhares de famílias após as enchentes que devastaram o Nepal a partir de quarta-feira, 26. Até domingo, 30, mais de 2 mil nomes e fotografias foram afixados por parentes desesperados por notícias, em um mosaico de dor que retrata a fragilidade da vida diante de desastres naturais de grande escala.
O balanço oficial mais recente confirma ao menos 788 mortos em território nepalês, enquanto o número de desaparecidos já ultrapassa 3 mil pessoas, incluindo 592 cidadãos estrangeiros. A gravidade da situação obrigou familiares de diversas partes do mundo a viajar até a capital do país na tentativa de acompanhar os trabalhos de busca. O distrito de Rasuwa, localizado nas proximidades da fronteira com a China, figura entre as regiões mais castigadas pelo volume de água e lama, que também atingiu áreas da região do Tibete.
As operações de socorro mobilizam aproximadamente 8.300 militares do exército nepalês, que conseguiram resgatar 2.650 pessoas por meio de evacuações aéreas, sendo 216 estrangeiros. Diante da complexidade do terreno e da gravidade dos estragos, nações vizinhas como Índia, China e Coreia do Sul enviaram suporte especializado. Equipes chinesas, incluindo cinco técnicos peritos em túneis, atuam diretamente na tentativa de salvar operários ilhados em uma usina hidrelétrica, em um contexto onde cerca de 900 pessoas permanecem retidas em passagens subterrâneas pelo país.
Paralelamente aos salvamentos, as autoridades enfrentam um severo obstáculo na identificação dos corpos resgatados devido ao avançado estado de decomposição. No hospital principal de Katmandu, apenas 7 de 49 corpos recebidos puderam ser formalmente reconhecidos pelas equipes médicas, o que exigiu o início de coletas sistemáticas de amostras de DNA para permitir sepultamentos dignos. O cenário crítico foi reiterado por David Fisher, chefe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no país, ao apontar uma demanda extrema por sacos mortuários em meio a mais de 90 mil indivíduos afetados.
O que esta em jogo: A tragédia expõe a vulnerabilidade da infraestrutura básica em nações montanhosas e o desafio logístico que se impõe à soberania local em momentos de calamidade extrema. Inicialmente reticente quanto à ajuda externa, o governo nepalês precisou rever sua postura para acolher a cooperação internacional diante de custos de reconstrução estimados entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. Além das perdas materiais imensuráveis, o desastre coloca em evidência a necessidade urgente de solidariedade humanitária e a importância de estruturas de apoio civil capazes de preservar vidas e garantir dignidade às famílias enlutadas.
Com informacoes de revistaoeste.com.