Acordo bilateral de 25 anos visa elevar produção para 1,5 milhão de barris diários e recompor a Reserva Estratégica norte-americana.

Em um movimento de forte impacto geopolítico e econômico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo, 30, que o petróleo da Venezuela será utilizado para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) americana. A decisão decorre de um acordo direto firmado na sexta-feira, 28, com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que garante a Washington o controle sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas do país sul-americano.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump declarou que a operação deve ter início “em breve” e classificou o fornecimento da commodity como um “presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos”. O pacto ocorre em um momento crítico para a segurança energética norte-americana: os estoques estratégicos estavam em aproximadamente 290 milhões de barris em 21 de agosto, registrando o patamar mais baixo em 44 anos — cenário decorrente de sucessivas liberações promovidas pelos governos Biden e Trump em meio a tensões globais como a guerra na Ucrânia e crises com o Irã.
Pelo lado venezuelano, o acordo bilateral terá validade de 25 anos e projeta uma elevação na produção de petróleo para 1,5 milhão de barris por dia como objetivo inicial. Em pronunciamento veiculado pela emissora estatal VTV no sábado, 29, Delcy Rodríguez qualificou o entendimento como “histórico”, sustentando que a iniciativa servirá para reativar a debilitada atividade econômica local e gerar receitas ao governo, ao mesmo tempo em que preserva formalmente a soberania sobre os recursos naturais.
O cronograma do projeto abrange a exploração e o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos considerados estratégicos, além da incorporação futura de outros oito novos blocos de extração. Especialistas apontam, contudo, que a recuperação plena e rápida do setor enfrentará gargalos técnicos consideráveis: para que o fluxo de óleo atinja o volume projetado e gere efeitos perceptíveis no curto prazo aos consumidores americanos, serão necessários aportes robustos em infraestrutura de refino e transporte.
O que esta em jogo: A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA foi estabelecida pelo Congresso norte-americano em 1975, no rescaldo do histórico embargo árabe do petróleo, contando com capacidade total para armazenar até 714 milhões de barris em cavernas subterrâneas no Golfo do México. Ao assumir a gestão desse expressivo volume venezuelano em um horizonte de longo prazo, os Estados Unidos buscam restabelecer sua blindagem energética frente às instabilidades internacionais e garantir maior previsibilidade de suprimento perante oscilações do mercado global.
Com informacoes de revistaoeste.com.