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Fósseis de 70 milhões de anos no deserto do Egito revelam mar habitado por predadores extintos

Estudo científico detalha descoberta de 14 dentes fossilizados de tubarões extintos no Planalto de Abu-Tartur, confirmando presença de antigo mar tropical no Egito.

Por Redação Ponto FixoPublicado 30/08/2026 às 05h02· 3 min de leitura
Fósseis de 70 milhões de anos no deserto do Egito revelam mar habitado por predadores extintos
Foto: The original uploader was Tribal at German Wi / Wikimedia

Uma expressiva descoberta paleontológica no Deserto Ocidental do Egito revelou novos detalhes sobre as profundas transformações geológicas pelas quais a Terra passou ao longo das eras. Pesquisadores identificaram 14 dentes fossilizados pertencentes a pelo menos cinco espécies extintas de tubarões lamniformes, animais que habitaram a região há cerca de 70 milhões de anos. O material, coletado no Planalto de Abu-Tartur, documenta um período em que a atual paisagem árida e inóspita era inteiramente coberta por um ecossistema marinho tropical de alta biodiversidade.

Os fósseis foram extraídos de camadas ricas em fosfato da Formação Duwi, situadas especificamente na localidade de Maghrabi-Liffiya, entre os oásis de Dakhla e Kharga. De acordo com a pesquisa divulgada na revista científica Cretaceous Research, as formações rochosas datam do Campaniano Superior, uma divisão temporal do Cretáceo Superior. A composição química dos depósitos de fosfato foi determinante para a preservação das estruturas dentárias, materiais altamente resistentes que permanecem como o principal registro da passagem desses predadores pelos mares ancestrais.

A análise morfológica permitiu catalogar espécimes atribuídos a Cretalamna cf. C. maroccana, Scapanorhynchus cf. S. raphiodon, Serratolamna cf. S. serrata, Squalicorax bassanii e Squalicorax pristodontus. A diversidade anatômica das peças — variando entre dentes afilados, ideais para perfuração, e estruturas largas com bordas serrilhadas para corte — evidencia nichos alimentares bem distribuídos. O conjunto demonstra que a cadeia trófica local mantinha predadores de topo capazes de competir e coexistir em um mesmo ecossistema aquático.

O achado também estabelece marcos inéditos para o mapeamento paleontológico do continente africano. As espécies Serratolamna cf. S. serrata e Squalicorax bassanii foram registradas formalmente pela primeira vez em território egípcio. Por sua vez, a presença de Scapanorhynchus cf. S. raphiodon aponta para a possível primeira ocorrência desse táxon em toda a África, embora os autores do estudo ressaltem a necessidade de coletas adicionais e revisões taxonômicas para a consolidação definitiva dessa classificação.

Apesar do uso do termo técnico “cemitério de tubarões” na literatura acadêmica associada ao trabalho, os cientistas esclarecem que o local não representa um evento de mortalidade em massa. Trata-se, na realidade, da deposição natural e contínua de dentes em estratos sedimentares ao longo de milhares de anos. Somando-se às duas formas já descritas em levantamentos prévios na região de Abu-Tartur, o total de lamniformes identificados no planalto sobe para sete espécies, consolidando o Egito como ponto crucial para o estudo da vida pré-histórica.

O que esta em jogo: A identificação de fósseis marinhos em pleno deserto reforça a complexidade do registro histórico natural e a dinâmica das transformações da Terra ao longo do tempo. Para além da ciência biológica, tais investigações no Norte da África ampliam o entendimento sobre bacias sedimentares ricas em minerais — como o fosfato —, cujo mapeamento rigoroso sustenta atividades econômicas estratégicas e preserva a memória do patrimônio científico global.

Com informacoes de oantagonista.com.br.

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