A Justiça italiana avalia um novo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, que se diz confiante. O caso envolve uma condenação por porte ilegal de arma, enquanto a defesa vê uma tentativa de contornar decisão anterior.

A ex-deputada federal Carla Zambelli, atualmente na Itália, manifestou confiança na Justiça do país europeu, enquanto aguarda a decisão sobre um novo pedido de extradição para o Brasil. A audiência crucial, que pode definir seu futuro legal, está marcada para esta quarta-feira, 1º de novembro. Zambelli revelou que acompanhará o processo em oração, enquanto seus advogados, Pieremilio e Alessandro Sammarco, representam-na perante a Corte Suprema de Cassação.
Este é o segundo pleito de extradição apresentado pelo Brasil, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), à Itália. O pedido atual se fundamenta na condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O episódio em questão ocorreu às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli reagiu a uma agressão nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, sacando uma arma.
O cenário jurídico em torno de Zambelli na Itália é complexo e já teve um precedente. Um pedido anterior, relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), havia sido autorizado pela Corte de Apelação de Roma, mas com condições específicas: cumprimento da pena exclusivamente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, acesso irrestrito à defesa e ao consulado italiano, e atualização regular de seu estado de saúde à Embaixada da Itália. Contudo, em 22 de maio, a Corte de Cassação anulou essa autorização, alegando falta de imparcialidade do STF e citando que o ministro Alexandre de Moraes teria acumulado as funções de julgador e vítima no processo. Essa decisão levou à libertação de Zambelli, que estava presa em Roma desde julho de 2025 (sic, o ano na fonte está 2025, mas subentende-se que seja 2023, ou período anterior à anulação).
A defesa de Zambelli no Brasil interpreta o novo pedido de extradição como uma “manobra jurídica” para, na prática, viabilizar a extradição e uma eventual prisão da ex-deputada. Embora o Brasil tenha sinalizado às autoridades italianas que aceita restringir a extradição apenas ao caso do porte de arma, o advogado Fabio Pagnozzi expressou ceticismo. Segundo ele, essa restrição não se manteria na prática, e Zambelli, ao chegar ao Brasil, “vai cair nas garras de Alexandre de Moraes”. A situação expõe a tensão entre as autoridades judiciais brasileiras e a percepção da defesa quanto à imparcialidade do processo.
A AGU, por sua vez, defende que a posição do Estado brasileiro está em conformidade com os parâmetros estabelecidos pelo Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, bem como pelas normas internacionais aplicáveis à cooperação jurídica em matéria penal. O desfecho desta nova audiência será crucial para o futuro de Carla Zambelli, evidenciando as nuances das relações jurídicas internacionais e os embates políticos e judiciais internos no Brasil.
O que está em jogo: A decisão da Justiça italiana sobre o segundo pedido de extradição de Carla Zambelli pode definir se a ex-deputada retornará ao Brasil para cumprir pena, levantando debates sobre soberania judicial e imparcialidade de tribunais.
Com informacoes de fonte, fonte.