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Reviravolta de Tarcísio: Linha 17-Ouro pode seguir com Metrô, afastando ViaMobilidade

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou a intenção de manter a Linha 17-Ouro sob gestão do Metrô, revertendo o plano original de concessão à ViaMobilidade. A mudança de estratégia reflete uma nova avaliação sobre as parcerias público-privadas no transporte metroviário.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/07/2026 às 01h03· 3 min de leitura
Reviravolta de Tarcísio: Linha 17-Ouro pode seguir com Metrô, afastando ViaMobilidade
Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia

Em uma guinada estratégica notável, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sinalizou a intenção de manter a operação da Linha 17-Ouro de monotrilho sob a gestão da Companhia do Metropolitano (Metrô), empresa estatal, em vez de transferi-la para a ViaMobilidade, conforme previsto no contrato de concessão firmado em 2018. A declaração, feita na última terça-feira, 30, aponta para uma revisão profunda na política de privatizações e concessões no setor de transportes do estado, especialmente em um cenário onde a ViaMobilidade, já operadora de outras linhas, tem sido alvo de críticas recorrentes da população pela qualidade dos serviços.

A mudança de postura de Tarcísio de Freitas foi anunciada durante a inauguração da Estação Washington Luís, a última da primeira fase do ramal. O governador justificou a decisão afirmando que o Metrô tem demonstrado excelência na operação e que o foco agora deve ser em expandir as linhas geridas pela estatal. Essa flexibilidade para “mudar de opinião”, como ele próprio mencionou, alinha-se a uma visão pragmática, onde a eficiência e a qualidade do serviço público parecem ganhar prioridade sobre a mera adesão ideológica a modelos de gestão. A discussão para a retirada da Linha 17-Ouro do contrato de concessão já estaria em andamento, embora a ViaMobilidade declare não ter conhecimento de negociações formais.

Para compensar a eventual perda da Linha 17-Ouro, o governo estuda oferecer novos investimentos à ViaMobilidade em outras frentes. Entre as possibilidades mencionadas estão a ampliação da Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela e a extensão da Linha 9-Esmeralda até Parelheiros. Essa abordagem sugere um esforço para renegociar termos e equilibrar interesses, buscando um arranjo que satisfaça as metas de expansão da infraestrutura e, ao mesmo tempo, melhore a percepção pública sobre a gestão do transporte coletivo. A medida também se coaduna com a posição do presidente do Metrô, Antonio Julio Castiglioni Neto, que, em maio, defendeu a manutenção das linhas sob controle público.

Outro ponto levantado por Tarcísio de Freitas foi a dificuldade em atrair operadores estrangeiros para o setor e a necessidade de diversificar a gestão das linhas de transporte. A concentração de um serviço tão essencial nas mãos de poucos operadores, como o governador destacou, pode ser prejudicial à concorrência e à qualidade. Essa visão corrobora a importância da soberania nacional sobre serviços estratégicos e a busca por um modelo mais robusto e menos dependente de um número restrito de atores, promovendo assim um ambiente mais dinâmico e potencialmente mais resiliente a falhas sistêmicas.

Enquanto as negociações prosseguem, a Linha 17-Ouro já experimenta expansão em seu funcionamento. A partir desta quarta-feira, 1º, o horário de operação será ampliado para o período entre 9h e 16h, com a operação plena, incluindo a cobrança de tarifa, prevista para iniciar até 30 de setembro. Além disso, o governador confirmou a inauguração das seis primeiras estações da Linha 6-Laranja para esta quinta-feira, 2, com operação comercial inicial a partir de sexta-feira, 3, em horário reduzido e sem cobrança de passagem, conectando as estações João Paulo I e Perdizes. Essas ações demonstram um movimento contínuo de aprimoramento e expansão da malha metroviária paulista.

O que está em jogo: A decisão de Tarcísio de Freitas representa uma reavaliação da política de concessões em São Paulo, impactando diretamente o futuro do transporte público e a relação entre o governo e as concessionárias privadas, podendo levar a um novo modelo de gestão para futuras expansões e aprimoramentos da rede metroviária, priorizando a eficiência e a experiência do usuário.

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