O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou a intenção de manter a Linha 17-Ouro do monotrilho sob administração do Metrô, revendo o contrato que previa sua operação pela ViaMobilidade. A decisão indica uma possível mudança de estratégia em relação às concessões de transporte público no estado.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou nesta terça-feira, 30, uma mudança significativa na gestão da Linha 17-Ouro do monotrilho, expressando a intenção de mantê-la sob o controle da Companhia do Metropolitano (Metrô), em vez de transferir sua operação para a ViaMobilidade, conforme previsto no contrato de concessão firmado em 2018.
A declaração, feita durante a inauguração da Estação Washington Luís, a última da primeira fase do ramal, representa um recuo em relação à política de concessões que tem caracterizado a gestão de infraestrutura em São Paulo. Tarcísio indicou que já estuda alternativas para desvincular a Linha 17 do contrato com a ViaMobilidade, argumentando que a Linha 17-Ouro já está concedida à ViaMobilidade, mas que, por outro lado, o Metrô está operando muito bem e que ele quer expandir as linhas operadas pelo Metrô.
Essa guinada na estratégia governamental não apenas surpreende, mas também aponta para uma reavaliação mais ampla das concessões. O governador justificou a mudança afirmando que “a capacidade que a gente tem é de mudar de opinião” e que “a gente não concede algo por conceder”. Ele ponderou que o Metrô tem demonstrado alta capacidade operacional, o que o levou a reconsiderar a privatização de certas linhas e, inclusive, a planejar a expansão da rede pública. Para compensar a ViaMobilidade pela eventual perda da Linha 17-Ouro, Tarcísio mencionou a possibilidade de novos investimentos em outras linhas já geridas pela concessionária, como a ampliação da Linha 5-Lilás até o Jardim Ângela e a extensão da Linha 9-Esmeralda até Parelheiros.
A decisão de Tarcísio ecoa uma posição já manifestada em maio pelo presidente do Metrô, Antonio Julio Castiglioni Neto, que defendia a permanência das linhas da estatal sob controle público. Essa sintonia entre o governador e a direção do Metrô pode indicar uma nova abordagem para o transporte público paulista, buscando maior diversificação na operação e evitando a concentração de todo o sistema nas mãos de poucos operadores, o que, segundo Tarcísio, é uma dificuldade, inclusive para atrair operadores estrangeiros.
Paralelamente a essa discussão, a Linha 17-Ouro terá seu horário de funcionamento ampliado para o período entre 9h e 16h a partir desta quarta-feira, 1º. A operação plena, das 4h40 à meia-noite, com cobrança de tarifa, está prevista para até 30 de setembro. Além disso, o governador confirmou a inauguração das seis primeiras estações da Linha 6-Laranja para esta quinta-feira, 2, com operação comercial para o público começando na sexta-feira, 3, inicialmente em horário reduzido e sem cobrança de passagem, entre as estações João Paulo I e Perdizes.
O que está em jogo: A decisão de Tarcísio de Freitas sobre a Linha 17-Ouro sinaliza uma revisão na política de concessões em São Paulo, potencialmente valorizando a gestão pública em setores estratégicos e redefinindo o papel das empresas privadas no transporte metroferroviário, com implicações para futuros projetos e investimentos no estado.
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