O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acionou a Advocacia da Casa para defender o senador Jaques Wagner contra decisões judiciais que, segundo ele, comprometem o exercício do mandato, incluindo bloqueio de verbas parlamentares, após operação da Polícia Federal.

Em um movimento de defesa institucional, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta terça-feira, dia 30, que a estrutura da Casa, incluindo sua Advocacia, será colocada à disposição do senador Jaques Wagner (PT-BA). A medida visa contestar decisões judiciais que, na visão de Alcolumbre, estariam comprometendo o pleno exercício do mandato do parlamentar baiano.
A iniciativa ocorre dias após Jaques Wagner deixar a liderança do governo no Senado, em meio às investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Segundo Alcolumbre, a defesa institucional não se aprofundará no mérito das investigações, mas se concentrará estritamente na preservação das prerrogativas parlamentares, que ele considera essenciais para a atuação de qualquer senador.
O presidente do Senado destacou que algumas decisões judiciais teriam afetado diretamente a atividade parlamentar de Wagner, citando o bloqueio de contas e de verbas destinadas ao funcionamento de seu gabinete. A Advocacia do Senado prepara medidas judiciais para reverter essas restrições, buscando, por exemplo, o restabelecimento da verba indenizatória que é utilizada para custear as atividades inerentes ao mandato.
Alcolumbre enfatizou que sua postura é uma responsabilidade institucional, visando proteger todos os senadores da República. Ele também expressou apoio pessoal a Jaques Wagner e criticou a “criminalização da política brasileira”, defendendo que as pessoas estão sendo condenadas antes mesmo da conclusão das investigações, e manifestou sua crença na oportunidade de Wagner comprovar sua inocência durante o processo.
A saída de Jaques Wagner da liderança do governo ocorreu menos de uma semana antes do pronunciamento de Alcolumbre, com a senadora Teresa Leitão (PT-PE) sendo designada para substituí-lo. As investigações da Operação Compliance Zero apuram suposta atuação de Wagner em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, em troca de vantagens indevidas, acusações que o petista nega veementemente, tendo recorrido ao Supremo Tribunal Federal para anular a decisão de busca e apreensão em endereços ligados a ele.
O que está em jogo: A decisão do presidente do Senado de defender judicialmente as prerrogativas de um parlamentar investigado pela PF levanta discussões importantes sobre os limites da atuação do Judiciário e a autonomia dos poderes, podendo influenciar futuras abordagens de casos envolvendo membros do Legislativo.
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