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Ex-detento australiano revela torturas brutais em prisões chinesas e o terror de ser forçado a confessar

Um relatório da Safeguard Defenders detalha o sofrimento do empresário australiano Matthew Radalj, preso na China em 2020, que foi submetido a espancamentos, privação de sono e tortura sonora, expondo o regime de abusos contra estrangeiros.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/07/2026 às 07h03· 3 min de leitura
Ex-detento australiano revela torturas brutais em prisões chinesas e o terror de ser forçado a confessar
Foto: Reprodução/Freepik

A experiência chocante do empresário australiano Matthew Radalj nas prisões chinesas, detalhada em um relatório da organização Safeguard Defenders, reacende o debate sobre os direitos humanos sob o regime do Partido Comunista Chinês. Preso em janeiro de 2020 após uma discussão em um shopping em Pequim, Radalj alega ter sido submetido a uma série de torturas brutais que visavam forçá-lo a confessar um crime de roubo, do qual ele se diz inocente. Sua história é um testemunho vívido das condições desumanas enfrentadas por detentos, incluindo estrangeiros, em um sistema penal opaco e implacável.

Segundo o documento da Safeguard Defenders, Radalj foi brutalmente espancado, privado de assistência jurídica por meses e exposto a um regime de privação de sono que se estendeu por oito meses no Centro de Detenção nº 3. A tortura sonora, com música em volume máximo constante nas celas, foi um dos métodos empregados para quebrar sua resistência. Diante da ameaça de longas penas, que poderiam chegar à prisão perpétua por roubo, Radalj foi coagido a assinar uma confissão, na esperança de uma libertação futura, ainda que distante.

As condições de confinamento descritas pelo australiano são de extremo rigor: celas superlotadas com mais de 25 pessoas, ausência de beliches ou colchões, apenas um cobertor em pisos de cimento e refeições escassas, compostas por cenouras e batatas, com proteína apenas uma vez por semana. Além disso, Radalj relata ter sido alvo de choques elétricos e de um tratamento degradante, sendo repetidamente levado para fora da cela nu no frio, enquanto um cachorro latia para ele, em ciclos de seis minutos durante longos períodos.

Transferido posteriormente para a prisão nº 2 de Pequim, destinada a detentos estrangeiros, Radalj utilizou a produção de máscaras de proteção contra a Covid-19 como uma forma engenhosa de comunicação. Escondia pequenas mensagens dentro delas, com listas de contatos de familiares de outros detentos e informações sobre a incapacidade dos presos de se comunicarem com o mundo exterior. Sua iniciativa sublinha a profundidade do isolamento e a desesperada busca por contato e ajuda de quem está por trás das grades chinesas.

Atualmente, após sua libertação, Matthew Radalj dedica-se a uma campanha em favor de outros estrangeiros detidos na China, buscando contato com familiares e pressionando consulados para que ofereçam melhor assistência. Sua corajosa atuação não apenas visa expor as atrocidades do sistema penal chinês, mas também serve como um farol de esperança e uma voz para aqueles que, como ele, foram silenciados e abusados, reforçando a urgência de uma supervisão internacional mais rigorosa sobre os direitos humanos na China.

O que está em jogo: A revelação das experiências de Matthew Radalj e de outros detentos estrangeiros destaca a persistente preocupação internacional com os direitos humanos na China, expondo um sistema judiciário que frequentemente prioriza a confissão coercitiva em detrimento da justiça e do devido processo legal, levantando questões sobre a segurança de cidadãos estrangeiros no país e a necessidade de uma pressão diplomática contínua.

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