Mensagens revelam que Daniel Vorcaro articulou para conter Joesley Batista e blindar Lula em meio à venda do Banco Master ao BRB.

Mensagens obtidas do telefone celular do empresário e fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, trouxeram a público os bastidores de uma acirrada disputa corporativa e política ocorrida em maio de 2025. Os diálogos revelam que Vorcaro demonstrou forte apreensão quanto a uma possível interferência dos irmãos Joesley e Wesley Batista na negociação de venda de sua instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). No centro da estratégia para conter o avanço dos concorrentes, o banqueiro manifestou a necessidade expressa de preservar a imagem do chefe do Poder Executivo federal.
Em conversa registrada no dia 15 de maio com o advogado Walfrido Warde, Vorcaro foi enfático sobre o risco de colisão direta com o grupo J&F. Na ocasião, o banqueiro escreveu textualmente: “Tenho que frear esse Joesley senão vai entrar numa guerra”, completando em seguida com a previsão de que seria a “maior que já houve. Na história”. Diante do cenário de tensão entre grandes atores do mercado financeiro e de carnes, o advogado se colocou à disposição para buscar saídas e questionou sobre as providências táticas a serem tomadas pelo fundador do Master.
Articulações políticas e a blindagem de Lula
Ao detalhar a sua preocupação nas mensagens, Daniel Vorcaro afirmou que era fundamental estruturar uma ação defensiva com o objetivo de “blindar pr”, sigla utilizada habitualmente em comunicações para fazer referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O temor do empresário era de que a movimentação hostil de Joesley Batista desaguasse em um confronto que pudesse desgastar a cúpula do governo federal. Em resposta, Warde aconselhou um diálogo direto com Joesley e, no dia seguinte, sinalizou possuir uma abordagem reservada para tratar pessoalmente sobre os opositores do negócio.
A disputa nos bastidores envolvia a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição estatal do Distrito Federal. De acordo com informações apuradas à época pelo jornal Valor Econômico, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, havia alertado Vorcaro de que os irmãos Batista estavam atuando ativamente para inviabilizar a transação. A ofensiva teria incluído conversas diretas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sob o argumento de que a operação apresentaria graves entraves estruturais e não seria bem-sucedida.
Relações de poder e pontas soltas no caso
O entrelaçamento entre grandes conglomerados econômicos e a esfera pública também foi registrado em conversas anteriores, datadas de julho de 2024. Nelas, Vorcaro comentou que tanto o seu grupo quanto os irmãos Batista desfrutavam de proximidade com a atual administração petista, chegando a classificar o cenário de disputa como propaganda positiva: “Isso aí é mkt pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”. A troca de mensagens explicita como o trânsito com o poder político costuma ser manejado como ativo de pressão dentro de grandes transações corporativas que envolvem entes públicos.
Apesar da revelação das conversas, ainda não se sabe até que ponto a suposta interferência dos irmãos Batista junto ao governo do Distrito Federal influenciou decisivamente os rumos finais da operação entre Master e BRB. Também carece de esclarecimento público se o presidente Lula ou integrantes do Palácio do Planalto foram de fato consultados ou atuaram de forma concreta em resposta aos pedidos de blindagem e aos alertas emitidos por ambos os lados da disputa empresarial.
O que está em jogo: A exposição das mensagens expõe o nível de pressão política sobre o comando do BRB e o Palácio do Buriti na condução de negócios bancários, cabendo agora aos órgãos de controle e à governança do BRB demonstrar se as decisões tomadas em relação ao Banco Master atenderam a critérios técnicos ou sofreram influência do embate direto entre Daniel Vorcaro e os irmãos Batista.
Com informacoes de revistaoeste.com.