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Terremotos na Venezuela: EUA enviam mais de 900 militares e ajuda humanitária, mas incidente em La Guaira gera atrito com ministro chavista

Os Estados Unidos mobilizaram mais de 900 militares para uma missão humanitária na Venezuela, em resposta aos recentes terremotos, enquanto um incidente envolvendo um brigadista americano e o ministro Diosdado Cabello gera tensões.

Por Redação Ponto FixoPublicado 01/07/2026 às 09h04· 3 min de leitura
Terremotos na Venezuela: EUA enviam mais de 900 militares e ajuda humanitária, mas incidente em La Guaira gera atrito com ministro chavista
Foto: AngelMoran13 / Wikimedia

Em um movimento que mescla ajuda humanitária urgente com um cenário político complexo, os Estados Unidos enviaram mais de 900 militares à Venezuela, com outros 800 em bases de apoio em Porto Rico e Curaçao, para auxiliar nas operações de resposta aos devastadores terremotos que atingiram o país na última semana. A informação foi confirmada pelo general Francis Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, à agência Reuters. A iniciativa visa oferecer suporte em buscas, resgates, restabelecimento de infraestrutura aeroportuária e facilitação da chegada de auxílio humanitário, utilizando inclusive drones para mapeamento de danos.

Os terremotos, ocorridos em sequência na última quarta-feira, dia 24, deixaram um rastro de destruição. O balanço mais recente das autoridades venezuelanas indica que o número de mortos chegou a 1.943 e os feridos ultrapassam 10,5 mil. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. Diante da magnitude da tragédia, a assistência internacional se torna crucial, e a presença militar americana, embora focada em caráter humanitário e logístico, destaca a capacidade de resposta rápida em cenários de catástrofe.

No entanto, a missão não tem sido isenta de tensões. Em meio às operações de resgate, um incidente em La Guaira chamou a atenção, envolvendo um brigadista norte-americano e o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram uma discussão, com o socorrista pedindo a Cabello que se afastasse da área de buscas, afirmando haver uma pessoa necessitando de socorro. Usuários de redes sociais interpretaram o episódio como uma tentativa de Cabello de interferir nas equipes de resgate, embora o contexto completo da interação não tenha sido totalmente esclarecido pelas imagens.

Este atrito ganha maior relevância dado o histórico político de Diosdado Cabello. Considerado uma figura central do regime chavista, Cabello foi incluído na lista de procurados pelos EUA em 2020, sob acusações relacionadas ao narcotráfico, com o Departamento de Estado americano oferecendo recompensa por informações que levem à sua captura. A presença de militares americanos em território venezuelano, mesmo que para fins humanitários, e a interação com uma figura tão proeminente do governo Maduro, sublinha a delicadeza das relações diplomáticas e a persistência de desconfianças mútuas.

O general Donovan reiterou o caráter estritamente humanitário da missão, afirmando que não há planos para manter tropas no país após o encerramento das operações. A mobilização de fuzileiros navais como os primeiros a chegar e a utilização de meios aéreos e navais reforçam a seriedade do compromisso americano em auxiliar as vítimas dos terremotos. Contudo, a geopolítica regional e as complexas relações bilaterais entre Washington e Caracas adicionam camadas de interpretação a uma ação que, em sua essência, deveria ser apenas sobre ajuda e solidariedade.

O que está em jogo: A missão humanitária dos EUA na Venezuela, em resposta aos terremotos, destaca a capacidade de cooperação em crises, mas também expõe as fissuras políticas e desconfianças históricas entre os dois países, especialmente após o incidente com Diosdado Cabello, figura-chave do regime chavista e procurado pelos EUA.

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