A Polícia Federal deflagrou a Operação Galho Fraco II, aprofundando investigações sobre um suposto esquema de desvio de verbas públicas de cotas parlamentares, com foco em indivíduos ligados ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

A Polícia Federal (PF) lançou nesta quarta-feira, 1º de maio, a Operação Galho Fraco II, que representa a terceira fase da investigação denominada Operação Rent a Car. O objetivo central é aprofundar a apuração de um suposto esquema complexo de desvio de recursos públicos, que teriam origem nas cotas parlamentares. A ação policial tem como alvos pessoas ligadas diretamente ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que atualmente ocupa a liderança do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. Importante ressaltar que o próprio parlamentar não figura entre os alvos diretos desta nova etapa da operação.
As cotas parlamentares, que estão no centro desta investigação, são um benefício concedido mensalmente a deputados e senadores, visando custear despesas estritamente relacionadas ao exercício de seus mandatos. Esse valor adicional ao salário dos congressistas cobre uma gama de gastos, incluindo passagens aéreas, hospedagem, alimentação, manutenção de gabinetes e a contratação de consultorias. O uso indevido desses recursos, que deveriam ser empregados em prol do interesse público, configura um grave atentado à probidade e à confiança da sociedade.
A Operação Galho Fraco II busca desvendar a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. As medidas judiciais foram chanceladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e estão sendo cumpridas em diferentes localidades do país, abrangendo o Distrito Federal e os estados de Goiás e Minas Gerais. A PF aponta a existência de um suposto “esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos”, indicando um sofisticado mecanismo para camuflar as irregularidades.
As investigações anteriores já haviam revelado supostas irregularidades na contratação de uma empresa de locação de veículos, utilizando-se justamente dos recursos da cota parlamentar. Em fases precedentes da operação, além de pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), bem como assessores e advogados de ambos, foram alvo de mandados de busca e apreensão. Esses desdobramentos mostram a complexidade e a abrangência do suposto esquema, que parece envolver múltiplos atores e empresas.
No decorrer da segunda fase da operação, em dezembro do ano passado, a PF encontrou R$ 470 mil em espécie em um endereço vinculado a Sóstenes Cavalcante. Na ocasião, o líder do PL defendeu-se, alegando que o dinheiro era fruto da venda de um imóvel e que estava devidamente declarado em seu Imposto de Renda. Ele explicou que o valor estava lacrado e que não houve tempo hábil para realizar o depósito bancário, guardando-o temporariamente em seu flat em Brasília. A justificativa do parlamentar será, naturalmente, um dos pontos a serem analisados pelas autoridades.
O que está em jogo: A continuidade das operações da PF sobre o uso das cotas parlamentares reforça a vigilância sobre a gestão de recursos públicos e busca coibir a corrupção e o desvio de verbas, elementos cruciais para a transparência e a legitimidade do poder legislativo, podendo gerar impactos significativos na imagem de parlamentares e partidos.
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