Operação Magen prendeu policiais e ex-servidor da Alerj acusados de vender fuzis e dados sigilosos a traficantes do Complexo de Israel.

A infiltração do crime organizado nas estruturas estatais fluminenses ganhou um novo capítulo com a deflagração da Operação Magen. Conduzida de forma conjunta pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) em 7 de outubro de 2026, a ação desarticulou uma sofisticada engrenagem que unia agentes de segurança pública, um ex-assessor do Poder Legislativo e lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em diversos municípios, incluindo Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica.
Lavagem milionária e comércio de fuzis
As investigações apontam que o grupo criminoso atuava desde 2022 e movimentou aproximadamente R$ 100 milhões ao longo de quatro anos. Essa cifra colossal — equivalente a uma média de R$ 25 milhões anuais lavados por meio de empresas de fachada — demonstra o nível de profissionalização financeira atingido pela quadrilha. O objetivo central do esquema era abastecer com armas de grosso calibre a facção chefiada por Álvaro Malaquias Santa Rosa, vulgo Peixão, que comanda as ações criminosas no chamado Complexo de Israel. Em um único episódio documentado pelos investigadores, os acusados entregaram dez fuzis AR-15 diretamente à cúpula do bando.
Entre os alvos presos estão um policial militar da ativa, três ex-policiais militares e um ex-comissionado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), capturado em um hotel de luxo na Barra da Tijuca na posse de um fuzil. Em outros endereços vasculhados, mais duas armas longas foram confiscadas. Além do armamento pesado, que incluía revólveres, pistolas e munições, o grupo fornecia serviços clandestinos de inteligência aos criminosos, traindo a confiança depositada nas instituições policiais.
Vazamento de dados e extorsão interna
Servidores públicos envolvidos no esquema utilizavam acessos funcionais restritos para consultar bancos de dados estatais. As informações repassadas aos traficantes incluíam mandados de prisão pendentes, endereços de desafetos, placas de veículos e alertas antecipados sobre operações policiais iminentes, frustrando ações táticas das forças da ordem. Paralelamente, esses mesmos dados sigilosos alimentavam investigações paralelas conduzidas pelos próprios agentes para a prática de extorsão e agiotagem armada, ampliando a teia de rentabilidade ilícita.
No balanço entre perdas e ganhos, a sociedade fluminense e as famílias reféns do narcoterror saem momentaneamente fortalecidas pela asfixia logística imposta ao TCP, enquanto a quadrilha perde importantes canais de blindagem e reabastecimento bélico. Contudo, lacunas relevantes ainda precisam ser esclarecidas pela Justiça: não foi divulgado publicamente como o armamento de calibre restrito ingressava no território fluminense antes de ser repassado aos criminosos, nem a identidade dos operadores financeiros por trás das firmas de fachada. Um policial civil alvo da operação permanece foragido.
O que está em jogo: a responsabilização penal dos servidores corrompidos perante a Justiça fluminense, após a denúncia do MPRJ por lavagem de dinheiro, usura, violação de sigilo e organização criminosa, além da continuidade das buscas da PF para localizar o chefe do TCP, Álvaro Malaquias Santa Rosa (Peixão), e o policial civil foragido.
Com informacoes de revistaoeste.com.