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Douglas Ruas vence no 1º turno no RJ após reviravolta

Com anulação de votos de Garotinho e recuo de Paes, Douglas Ruas (PL) supera 50% dos válidos e se torna governador eleito do Rio de Janeiro.

Por Redação Ponto FixoPublicado 09/10/2026 às 01h02· 4 min de leitura
Douglas Ruas vence no 1º turno no RJ após reviravolta
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A disputa pelo Palácio Guanabara foi oficialmente sacramentada na noite desta quinta-feira, 8, consolidando uma expressiva vitória do campo conservador no Estado do Rio de Janeiro. Após sucessivas derrotas no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral, o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) admitiu publicamente o revés nas urnas e abriu mão de disputas judiciais, confirmando Douglas Ruas (PL) como governador eleito. O desfecho encerra precocemente a corrida e sacramenta a vitória de Ruas ainda em primeiro turno, sem a necessidade de uma segunda votação.

Manobras jurídicas e reviravolta nas urnas

O resultado decorre diretamente de um intrincado vaivém processual que antecedeu o pleito de domingo, 4. Inicialmente, a própria coligação de Paes ingressou na Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Anthony Garotinho (Republicanos). No entanto, ao perceber que a anulação dos quase 275 mil votos do ex-governador — equivalentes a 3,17% dos votos válidos na apuração inicial — elevaria o percentual de Ruas para além dos 50%, Paes mudou radicalmente de estratégia. O emedebista passou a pleitear que a Justiça validasse os sufrágios de Garotinho, numa tentativa desesperada de forçar um segundo turno contra o candidato do PL, que havia obtido 49,27% no domingo.

A reconfiguração aritmética imposta pelas cortes superiores demonstrou o peso decisivo de uma fatia minoritária do eleitorado sobre todo o tabuleiro fluminense. Os 3,17% antes atribuídos a Garotinho representavam a barreira matemática que impedia a liquidação da fatura. Com a aceitação da impugnação pelo próprio integrante do Republicanos e a chancela das instâncias eleitorais superiores, a base total de sufrágios válidos encolheu, empurrando Ruas automaticamente para cima da maioria absoluta exigida pela Constituição.

Ascensão rápida na política fluminense

A ascensão de Douglas Ruas representa uma renovação veloz nas estruturas de poder do estado. Natural de São Gonçalo, segundo município mais populoso do Rio de Janeiro com cerca de 1 milhão de habitantes, o governador eleito tem 37 anos, é bacharel em Direito, especialista em gestão pública e concursado da Polícia Civil. Sua trajetória político-administrativa teve início há menos de seis anos, em 1º de janeiro de 2021, ao assumir a secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em sua cidade natal. Posteriormente, elegeu-se deputado estadual em 2022, comandou a pasta de Cidades sob a gestão de Cláudio Castro (PL) e, em 17 de abril deste ano, chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com 44 dos 70 votos da Casa.

O desfecho consagra a força eleitoral do Partido Liberal no Rio de Janeiro, que já havia conquistado expressivas bancadas parlamentares e duas vagas no Senado Federal no pleito do último domingo. Por outro lado, a derrota atinge frontalmente o grupo político de Eduardo Paes e as forças de centro-esquerda que tentavam frear a hegemonia da direita fluminense. Em pronunciamento no Centro do Rio, Ruas enfatizou o tom de ruptura ao afirmar que “o povo mostrou que a decisão foi pela mudança, dando um ‘não’ para essa geração de políticos que estava aí há 30 anos e fracassou”, assegurando manter postura republicana com todos os municípios.

Apesar do anúncio público de conformidade por parte do derrotado, o processo ainda aguarda a formalização burocrática pela Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro tem prazo até o próximo sábado, 10 de outubro, para concluir a recontagem oficial, zerando formalmente a votação outrora destinada a Garotinho. Resta saber ainda como será desenhada a composição do primeiro escalão do novo governo e a articulação imediata com a bancada de 21 deputados estaduais do PL que assumirá a Alerj no próximo ciclo.

O que está em jogo: A formalização pelo TRE-RJ até sábado, 10 de outubro, confirma a transição de poder no Palácio Guanabara sob a liderança de Douglas Ruas, consolidando o controle do Partido Liberal sobre o Executivo estadual e a Alerj. Na prática, a gestão estadual mantém o alinhamento com pautas de segurança pública e austeridade administrativa, restando observar a formação do novo secretariado e as negociações orçamentárias com os prefeitos fluminenses para o exercício de 2027.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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