Cotação do barril recua para menos de US$ 100 apesar do avanço de confrontos entre Arábia Saudita e rebeldes houthis no Oriente Médio.

O mercado global de energia registrou um recuo expressivo nas cotações dos combustíveis nesta segunda-feira, 21, contrariando o habitual comportamento de alta diante de tensões geopolíticas. O barril de petróleo Brent, principal referência para o comércio internacional, apresentou uma desvalorização superior a 4%, rompendo o patamar psicológico de três dígitos e atingindo a mínima diária de US$ 99,56 (R$ 508,75). O movimento descendente também atingiu a referência norte-americana, o West Texas Intermediate (WTI), negociado a US$ 93,08 (R$ 478,94), o que representa uma retração de 3,12%.
A queda abaixo dos US$ 100 por barril ocorre pela primeira vez desde 9 de setembro, revertendo a trajetória de abertura da semana. Na noite de domingo, 20, o Brent havia iniciado os negócios a US$ 104,82 com alta de 0,91%, mas perdeu força ao longo das horas seguintes até registrar perdas acumuladas de 4,14% por volta do meio-dia. O alívio nas cotações surpreendeu operadores diante do quadro de instabilidade militar aberta no Oriente Médio, que historicamente encarece os custos de frete marítimo, seguros e contratos futuros da commodity.
Tensões no Mar Vermelho e rotas estratégicas
O pano de fundo da movimentação financeira envolve a escalada de hostilidades entre as forças armadas da Arábia Saudita e o grupo houthi do Iêmen, facção alinhada ao Irã. No sábado, 19, os arredores do principal aeroporto de Riad foram alvos de ataques reivindicados pelos rebeldes iemenitas. No dia seguinte, novos enfrentamentos armados ocorreram no sudoeste do território iemenita e na disputa pelo controle direto do Estreito de Bab el-Mandeb, gargalo logístico vital que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
A hidrovia de Bab el-Mandeb assumiu relevância extrema para o escoamento da produção petrolífera saudita desde que o governo iraniano bloqueou o Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, logo no início dos confrontos bélicos diretos contra os Estados Unidos e Israel. Passados quase sete meses de conflito armado, Teerã e Washington permanecem em absoluto impasse diplomático, com a Guarda Revolucionária do Irã advertindo abertamente sobre o emprego de novas armas e ataques a novos alvos caso as forças norte-americanas realizem novas ofensivas.
Postura americana e limites da aliança
Apesar do acirramento das batalhas locais, a Arábia Saudita avalia até que ponto contará com a cooperação de Washington, tendo sinalizado que não pretende enfrentar as forças houthis de forma isolada. O presidente norte-americano Donald Trump rejeitou formalmente um pedido do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman para expandir a assistência bélica direta na região. Além de frear o envolvimento militar, Trump afirmou que a liderança houthi se comprometeu a poupar alvos dos Estados Unidos em suas ações armadas.
No tabuleiro econômico, a queda nas cotações beneficia as cadeias produtivas globais, o setor de transportes e as nações dependentes de importação de insumos energéticos, ao mesmo tempo em que reduz a margem de receita de petroleiras e de países exportadores do Oriente Médio. O que ainda não está esclarecido é por quanto tempo as rotas de navegação comercial no Mar Vermelho suportarão os combates em Bab el-Mandeb sem interrupções físicas no fornecimento da commodity, nem qual estratégia a monarquia saudita adotará caso os Estados Unidos mantenham o veto a uma intervenção militar.
O que está em jogo: A manutenção do barril de petróleo abaixo da barreira dos US$ 100 reduz a pressão inflacionária global sobre fretes e combustíveis, mas a estabilidade dessa cotação depende da capacidade saudita de escoar a produção por Bab el-Mandeb sem apoio militar direto de Donald Trump. O mercado agora monitora as próximas movimentações da Guarda Revolucionária iraniana e eventuais represálias dos houthis contra a infraestrutura energética em Riad.
Com informacoes de revistaoeste.com.