Sabesp investe R$ 25 bilhões para ampliar saneamento em SP, reduzir poluição do Rio Tietê e antecipar metas do marco legal.

A modernização e a eficiência na infraestrutura básica paulista ganharam um impulso financeiro sem precedentes com o investimento de R$ 25 bilhões anunciado pela Sabesp. O aporte massivo é destinado a obras de esgotamento sanitário na Região Metropolitana de São Paulo, integrando as diretrizes do programa Integra Tietê, iniciado em março de 2023. O objetivo central é acelerar o tratamento de efluentes e conter de forma drástica o despejo de matéria orgânica no Rio Tietê e em seus afluentes, consolidando a gestão privada como vetor de transformação estrutural.
O volume financeiro de R$ 25 bilhões ganha real dimensão prática ao focar na expansão das redes sobre áreas historicamente desprovidas de serviços essenciais. A nova etapa visa incorporar 650 mil novos imóveis à infraestrutura regular, alcançando cerca de 1,75 milhão de habitantes. Para viabilizar a transposição de terrenos acidentados, rochosos e rodovias como a Raposo Tavares, a companhia instalará 460 quilômetros de tubulações e 112 Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs), superando barreiras geográficas onde o fluxo natural por gravidade é inviável.
Metas antecipadas e desafio da universalização
O cronograma estabelecido projeta a entrega desse pacote até 2028, inserindo-se na estratégia de universalizar os serviços de saneamento básico em sua área de cobertura até 2029. O feito consolida uma antecipação de quatro anos frente à meta de 2033 definida pelo Marco Legal do Saneamento. As intervenções diretas contemplam municípios como Cajamar — que duplicará a capacidade da ETE Polvilho para 200 litros por segundo —, Cotia (com 107,5 km de redes), Osasco, Itapevi, Carapicuíba, Jandira, Santana de Parnaíba, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato, além de bairros das zonas norte e oeste da capital.
Os reflexos ecológicos e sanitários já mostram resultados concretos na despoluição das bacias hidrográficas. Segundo a Cetesb, a carga média de poluição orgânica do Tietê na saída da Região Metropolitana caiu de 210 toneladas diárias em 2025 para 154 toneladas nos dois primeiros trimestres de 2026 — um recuo de 26,7%. Paralelamente, dados da Sabesp apontam que 52 cursos d’água em 190 bairros sofrerão intervenções positivas imediatas. A ampliação do sistema beneficia diretamente as famílias antes expostas a valas a céu aberto, enquanto a iniciativa privada e os pagadores de impostos ganham com o retorno econômico e a valorização imobiliária decorrentes da despoluição.
Monitoramento contínuo e lacunas do projeto
Apesar da celebração dos contratos e do avanço de 43% dos 42 pacotes da primeira fase, restam aspectos cruciais que demandam transparência contínua. A companhia não detalhou como será equacionada a adesão final e as ligações intradomiciliares nas comunidades mais vulneráveis nem o custo operacional futuro dessa malha de bombeamento complexa frente a eventuais oscilações tarifárias. A fiscalização rigorosa dos prazos até 2028 permanece como ponto de atenção para os órgãos reguladores e a sociedade civil.
O que está em jogo: A execução do investimento de R$ 25 bilhões pela Sabesp define a rapidez com que 1,75 milhão de paulistas terão acesso a redes de esgoto e se o cronograma de universalização até 2029 será cumprido. Resta acompanhar as medições técnicas da Cetesb nos afluentes do Tietê e a entrega efetiva das 112 estações elevatórias em cidades como Cotia e Cajamar.
Com informacoes de revistaoeste.com.