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Indústria tem pior agosto em 11 anos e investimentos caem

Produção industrial recua para 46,3 pontos em agosto de 2026 e atinge pior patamar em mais de uma década, segundo sondagem da CNI.

Por Redação Ponto FixoPublicado 21/09/2026 às 17h02· 3 min de leitura
Indústria tem pior agosto em 11 anos e investimentos caem
Foto: Simon Kadula

O setor produtivo nacional emitiu mais um sinal severo de alerta para os rumos da economia brasileira. Segundo dados da Sondagem Industrial divulgados nesta segunda-feira, 21, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução da produção registrou 46,3 pontos em agosto de 2026. A pontuação representa uma queda abrupta de 4,7 pontos na comparação direta com julho e consolida o pior desempenho para o mês em 11 anos.

A métrica utilizada pela entidade estabelece que qualquer patamar abaixo da linha divisória de 50 pontos configura retração na atividade em relação ao mês imediatamente anterior. A marca histórica negativa só encontra paralelo no auge da recessão enfrentada pelo país em 2015, quando o indicador atingiu 42,7 pontos. Segundo a CNI, o recuo verificado no período contraria a sazonalidade típica do calendário industrial, que costuma apresentar aceleração das fábricas nesta época do ano.

Incertezas travam aporte de capital privado

Paralelamente ao freio na produção imediata, o apetite dos empresários para novos aportes financeiros também sofreu forte deterioração. O índice de intenção de investimento industrial caiu 1,3 ponto em agosto, fixando-se em 51,3 pontos. Esse é o menor nível registrado desde agosto de 2020, período em que o mercado operava sob as severas restrições da pandemia de covid-19. Trata-se, ainda, da quarta retração consecutiva do índice, que vem acumulando perdas contínuas desde maio.

De acordo com a análise de Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o desestímulo reflete a perda consistente de tração do segmento e a escalada de desconfianças macroeconômicas. “A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado”, explicou o economista.

Descompasso com o agronegócio e Produto Interno Bruto

O enfraquecimento das fábricas aprofunda o descompasso setorial observado no Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre de 2026, enquanto a economia brasileira cresceu 0,5% puxada fundamentalmente pela força e produtividade do agronegócio — que saltou expressivos 2,8% —, a indústria praticamente estagnou, avançando tímidos 0,1%. O levantamento da CNI contou com a participação de 1.403 empresas, distribuídas entre 587 pequenos negócios, 487 unidades de médio porte e 329 grandes indústrias, consultadas entre os dias 1° e 11 de setembro de 2026.

Apesar da clareza do diagnóstico de retração, a pesquisa não detalha quais segmentos fabris específicos mais sofreram cortes ou se o custo de crédito e a carga tributária foram os fatores determinantes para a hesitação dos empresários no mês. Resta saber se o ambiente de negócios para os trimestres seguintes conseguirá devolver a previsibilidade necessária para que o capital volte a ser alocado em modernização e capacidade produtiva.

O que está em jogo: a retração contínua da indústria afeta diretamente a geração de empregos formais qualificados e a arrecadação no setor de transformação. Para os empresários consultados pela CNI, a cautela adia ampliações de fábricas e compras de maquinário. Cabe acompanhar se os próximos números do PIB e os relatórios de inflação trarão algum alívio nos custos operacionais ou se a produção continuará abaixo da marca de 50 pontos até o fim de 2026.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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