Três eurodeputados acionam a diplomacia da União Europeia pedindo sanções contra Alexandre de Moraes e monitoramento no Brasil.

A pressão internacional sobre a atuação da Suprema Corte brasileira ganhou um novo capítulo diplomático de alta voltagem. Três integrantes do Parlamento Europeu encaminharam uma carta formal a Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, solicitando que o bloco examine a aplicação de sanções formais contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, assinado pelos eurodeputados Adam Bielan, Carlo Fidanza e Mariusz Kaminski, pede que o Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS) investigue decisões do magistrado em processos considerados de elevada sensibilidade política no Brasil.
A iniciativa dos parlamentares europeus tem como antecedente direto o aumento de contestações externas à condução de inquéritos no Brasil, mencionando expressamente precedentes da legislação internacional, a exemplo do regime Global Magnitsky adotado pelos Estados Unidos. Os deputados argumentam que declarações protocolares de preocupação já não atendem à gravidade do quadro e defendem medidas concretas caso se comprovem violações recorrentes a garantias fundamentais, como o devido processo legal, a liberdade de expressão e a preservação do pluralismo de ideias e posições políticas.
Contratos milionários e imparcialidade jurídica
Para embasar a solicitação perante a cúpula da União Europeia, o grupo parlamentar compilou dados atribuídos a investigações da Polícia Federal sobre supostos contatos do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. A representação menciona de forma destacada um contrato de prestação de consultoria jurídica firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com previsão de pagamentos de até R$ 130 milhões distribuídos ao longo de um período de 36 meses — quantia que equivale a mais de R$ 3,6 milhões mensais em honorários.
Em sua manifestação a respeito do contrato, o escritório de advocacia ressaltou que desempenhou estritamente serviços de consultoria técnica para o banco, assegurando que jamais atuou em ações ou litígios da referida instituição financeira em tramitação no STF. Contudo, os parlamentares europeus cruzam esse contexto com a condução de processos que culminaram na condenação política do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo que a União Europeia analise a transparência e a estrita imparcialidade das decisões do Judiciário brasileiro frente a tais apontamentos.
Fiscalização eleitoral e próximos passos
Além da apuração disciplinar e pessoal sobre o ministro, o documento apresentado ao EEAS reivindica que a diplomacia europeia envie missões de observação eleitoral independente ao território brasileiro. A fiscalização sugerida abarcaria desde a fase de campanha — monitorando a igualdade de acesso à mídia, eventuais decisões de remoção de conteúdos políticos e aplicação de medidas judiciais cautelares — até a verificação detalhada das etapas de votação, apuração, totalização e transparência dos sistemas eletrônicos e vias de contestação.
No cenário político prático, a iniciativa representa uma vitória de narrativa para setores da oposição e críticos do Judiciário brasileiro, enquanto expõe a cúpula do Supremo Tribunal Federal a um escrutínio externo inédito por parte de autoridades europeias. No entanto, ainda não se sabe qual será o grau de acolhimento que a alta representante Kaja Kallas dará ao pedido, nem se o corpo técnico do EEAS considerará os elementos trazidos como juridicamente suficientes para instaurar um processo formal de sanções contra um magistrado de corte constitucional estrangeira.
O que está em jogo: O próximo passo depende exclusivamente da análise de Kaja Kallas e do Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS), que deverão decidir se arquivam a representação ou se abrem procedimento preliminar para averiguar a elegibilidade de Alexandre de Moraes ao regime europeu de sanções por violações de direitos fundamentais, bem como se acolhem o pedido de envio de observadores internacionais para monitorar os pleitos eleitorais no Brasil.
Com informacoes de revistaoeste.com.