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Lula assina manifesto na ONU com alerta sobre clima e IA

Em artigo no exterior, Lula e líderes globais lançam grupo multilateral e apontam riscos de perda de controle sobre a inteligência artificial.

Por Redação Ponto FixoPublicado 21/09/2026 às 02h02· 3 min de leitura
Lula assina manifesto na ONU com alerta sobre clima e IA
Foto: Reprodução

Em uma nova ofensiva diplomática no cenário internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subscreveu, em 20 de setembro de 2026, um manifesto conjunto publicado no jornal britânico Financial Times. O texto marca o lançamento oficial da iniciativa intitulada Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), articulada às vésperas dos debates de alto nível da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ao lado de mandatários de outros três continentes, o petista reforça uma agenda que preconiza a centralização de decisões em organismos supranacionais como resposta a dilemas globais contemporâneos.

Globalismo e reformas institucionais

O manifesto é assinado conjuntamente por Lula, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo presidente do Quênia, William Ruto, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O grupo sustenta a tese de que a soberania dos países é fortalecida — e não mitigada — quando governos se submetem a ações coletivas e acordos compartilhados. A plataforma apresentada defende expressamente reformas estruturais na governança da ONU e no sistema econômico mundial, sob a justificativa de que problemas transnacionais, como crises financeiras, conflitos bélicos e riscos de pandemias, não podem ser resolvidos de forma isolada pelas nações.

A retórica do documento aposta em tons de urgência ao tratar de duas pautas prioritárias: as transformações climáticas e o avanço tecnológico. De acordo com os signatários, a emergência do clima já “ultrapassa até mesmo as previsões mais alarmantes”. No campo digital, o documento expressa receio quanto ao ritmo de desenvolvimento do setor privado, afirmando categoricamente que a inteligência artificial (IA) “avança mais rápido do que nossa capacidade de controlá-la”. A investida busca pavimentar o terreno para regulações mais rígidas e padronizadas em escala planetária sobre o tráfego de dados e algoritmos.

Impactos sobre soberania e inovação

Historicamente, a diplomacia brasileira sob governos de esquerda prioriza alianças que fortalecem fóruns multilaterais, muitas vezes em detrimento de uma postura de autonomia nacional estrita ou de incentivo à desregulamentação econômica. Sob a perspectiva de quem ganha e perde com esse arranjo, burocracias internacionais e chefes de Estado alinhados a agendas de controle ganham maior peso na formulação de diretrizes obrigatórias. Em contrapartida, setores produtivos, a indústria de inovação tecnológica e defensores do livre mercado encaram com cautela a criação de mecanismos regulatórios globais que possam frear a competitividade, a liberdade individual e a soberania dos países em decidir suas próprias leis.

Apesar de o manifesto declarar abertamente que a iniciativa P4M não visa criar “um novo bloco exclusivo nem outra burocracia internacional”, o texto deixa lacunas evidentes sobre o funcionamento prático da proposta. Ainda não se sabe quais critérios objetivos balizarão as reformas exigidas nas Nações Unidas, como se dará a adesão de potências com interesses antagônicos ou se haverá imposição de sanções a membros que rejeitarem diretrizes climáticas ou restrições à inteligência artificial. Os desdobramentos operacionais e o nível de adesão de outras potências serão testados durante as reuniões multilaterais na sede da ONU.

O que está em jogo: a iniciativa P4M capitaneada por Lula, António Costa, William Ruto e Mark Carney busca transferir a governança de setores como inteligência artificial e metas ambientais para fóruns internacionais. Na prática, cabe observar as próximas sessões da Assembleia Geral da ONU em Nova York para verificar se o grupo conseguirá apresentar projetos concretos de resolução ou se a articulação encontrará resistência de potências que rejeitam a cessão de soberania regulatória.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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