Prefeito Ricardo Nunes esclarece que pediu respeito ao direito de ir e vir na Paulista em ato com Lula e Haddad às vésperas do pleito.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu as acusações de que teria vetado politicamente a caminhada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Avenida Paulista, marcada para a véspera da votação de primeiro turno. Durante agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nunes enfatizou que o papel da administração municipal sempre foi o de zelar pela ordem urbana e assegurar a mobilidade dos cidadãos, solicitando apenas que as vias vitais da capital não fossem bloqueadas.
A controvérsia teve início após a gestão municipal emitir orientação baseada em pedidos de apoio logístico do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A intenção inicial da prefeitura era manter a região central e os principais corredores expressos totalmente desimpedidos para a circulação de urnas, viaturas, servidores e materiais oficiais indispensáveis à realização da votação nos fins de semana eleitorais. A postura foi tomada com base na preservação do interesse público coletivo e na fluidez da cidade.
Decisão judicial e limites ao evento
Diante da contestação partidária, a juíza Maria Claudia Bedotti, do TRE-SP, suspendeu o ofício da administração municipal sob o argumento de que a prefeitura não detém poder de polícia sobre os atos de campanha, ressaltando que a legislação permite eventos eleitorais até as 22h do dia anterior ao pleito. No entanto, a determinação judicial impôs restrições claras aos militantes: a mobilização de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad deve ocorrer sem a interdição total das pistas, garantindo a rota de serviço da Justiça Eleitoral.
Em termos práticos, a polarização em torno do espaço público coloca em lados opostos a conveniência logística da militância partidária e o direito constitucional de ir e vir dos paulistanos que precisam circular pela capital. Ao declarar ‘qual o sentido de participar da política e desrespeitar o direito de ir e vir das pessoas?’, Nunes reforçou a defesa das liberdades individuais e cobrou responsabilidade cívica dos organizadores, exigindo que o trânsito da cidade não seja sacrificado por interesses eleitorais.
Fiscalização nas ruas e logística eleitoral
O próximo passo prático reside na atuação dos órgãos de trânsito e das forças de segurança, que terão a missão de monitorar a caminhada entre o cruzamento da Alameda Ministro Rocha de Azevedo, a Rua Augusta e a Praça Roosevelt. O grande ponto ainda sem resposta definitiva é como as autoridades municipais e a Justiça Eleitoral irão conter eventuais excessos caso a aglomeração de militantes transborde e bloqueie o fluxo das vias, descumprindo a exigência judicial de manter a circulação livre.
O que está em jogo: a garantia do direito de ir e vir da população e a segurança logística do transporte de urnas e equipes do TRE-SP na véspera da votação. Cabe agora acompanhar se os organizadores do ato do PT respeitarão os limites impostos pela Justiça Eleitoral na Avenida Paulista sem comprometer o trânsito da capital paulista.
Com informacoes de revistaoeste.com.