Lula e Flávio Bolsonaro concentram R$ 128,7 milhões em despesas no 1º turno, liderando os gastos presidenciais na reta final.

A corrida pelo Palácio do Planalto expõe uma intensa polarização financeira na reta final antes da votação. Dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que as despesas somadas de todos os postulantes à Presidência da República alcançaram R$ 160,7 milhões. Desse montante, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL) absorvem sozinhos R$ 128,7 milhões, o que representa exatos 80% de todo o capital declarado até o momento. Esse volume evidencia a concentração de recursos nas duas principais frentes políticas em disputa, deixando concorrentes de terceira via com fatias marginais do orçamento eleitoral.
O atual presidente Lula lidera a lista com R$ 65,7 milhões em despesas registradas, atingindo cerca de 74% do teto legal imposto pela Justiça Eleitoral, fixado em R$ 88,9 milhões para a primeira etapa do pleito. Flávio Bolsonaro aparece logo em seguida, com R$ 63 milhões, montante equivalente a 71% do limite permitido. Em contrapartida, os demais adversários declararam juntos apenas R$ 32 milhões: Ronaldo Caiado (PSD) informou R$ 22 milhões, Romeu Zema (Novo) registrou R$ 4,3 milhões e Renan Santos (Missão) totalizou R$ 1,3 milhão. A discrepância mostra o abismo estrutural entre as duas candidaturas dominantes e os projetos alternativos.
Destino dos recursos milionários em publicidade
A análise pormenorizada dos desembolsos revela estratégias focadas em comunicação de massa e marketing eleitoral. Na campanha petista, quase metade de todo o valor declarado — R$ 31 milhões, ou 47% do total — foi canalizado para uma única fornecedora: a Delta3 Comunicação e Projetos Ltda. As contas de Lula trazem ainda gastos relevantes com a Log Produções & Filmes Ltda. (R$ 4,27 milhões), Gráfica NMC Ltda. (R$ 2,76 milhões), Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. (R$ 2,59 milhões) e o escritório Ferraro e Novaes Advogados (R$ 1,52 milhão).
No comitê de Flávio Bolsonaro, a principal despesa declarada foi de R$ 13,1 milhões destinada à agência F.A.R.O Propaganda e Publicidade Ltda., pertencente ao marqueteiro Duda Lima. A campanha do senador também direcionou quantias expressivas para a Paranoá Digital Produção Cinematográfica (R$ 5,03 milhões), para o Facebook Serviços Online do Brasil (R$ 4,95 milhões, valor quase duas vezes superior ao declarado pelo adversário petista na plataforma), além da Aurea Tecnologia e Soluções Ltda. (R$ 3,7 milhões) e Algoritmo Dados Estratégia e Comunicação Ltda. (R$ 3,6 milhões).
Regras de prestação e limites operacionais
Os limites orçamentários definidos pelo TSE mantiveram o mesmo patamar observado na eleição de 2022. Caso haja segundo turno, cada um dos dois concorrentes que avançarem terá uma margem adicional de R$ 44,5 milhões, elevando o teto global individual para R$ 133,4 milhões. Grande parte desse financiamento provém do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mantido em R$ 4,9 bilhões para este ciclo eleitoral, somando-se ao Fundo Partidário, recursos próprios e doações de pessoas físicas permitidas por lei.
No entanto, o balanço definitivo dos custos reais da eleição ainda depende de prazos legais. Pela legislação, as doações e receitas financeiras devem ser reportadas em até 72 horas, mas a consolidação integral de notas fiscais e serviços prestados só é concluída na prestação de contas oficial pós-pleito. O que ainda não se sabe é o tamanho do passivo eventual que as campanhas acumularão na reta final da votação, tampouco a fatia exata de recursos públicos do FEFC frente a doações privadas que comporá o saldo final de cada postulante.
O que está em jogo: A prestação de contas que o TSE analisará após o término da votação definirá a regularidade jurídica das contas de Lula e Flávio Bolsonaro, cabendo ao tribunal julgar eventuais pendências sobre os limites de R$ 88,9 milhões e apontar a transparência no uso do fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões antes de uma eventual disputa de segundo turno.
Com informacoes de revistaoeste.com.