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Lula ataca Moro e Dallagnol em podcast após debate cancelado

Em podcast, Lula chamou Sergio Moro de canalha e Dallagnol de bandido após o cancelamento do debate presidencial na TV Globo.

Por Redação Ponto FixoPublicado 02/10/2026 às 10h02· 4 min de leitura
Lula ataca Moro e Dallagnol em podcast após debate cancelado
Foto: Lula Oficial / Wikimedia

Durante entrevista concedida ao Flow Podcast diretamente do Palácio da Alvorada na noite de 1º de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a desferir duros ataques contra as principais figuras que lideraram a Operação Lava Jato. Em declarações contundentes, o mandatário classificou o senador Sergio Moro (PL-PR), atual candidato ao governo do Paraná, como “canalha” e chamou o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR), que disputa uma cadeira no Senado, de “bandido”. A transmissão ocorreu no mesmo horário em que estava originalmente previsto o debate presidencial da TV Globo, evento que acabou cancelado pouco antes de seu início após intervenções judiciais.

As falas agressivas do presidente surgiram no momento em que ele comentava as recentes suspeitas envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ao afirmar que o filho “terá de prestar contas” perante a sociedade, Lula traçou um paralelo direto com o processo do triplex do Guarujá, que resultou em sua condenação e prisão no passado. “Quando eu estive acusado da maior infâmia jurídica que já foi feita neste país, eu poderia ter saído do Brasil, eu poderia ter ido para uma embaixada, eu resolvi ir para a Polícia Federal, porque eu queria provar o canalha que era o Moro, queria provar o bandido que era o Dallagnol”, disparou o petista durante a transmissão.

Lembranças da prisão e queixas contra a imprensa

Na linha do tempo jurídica que marcou a história recente do país, a Lava Jato teve início em 2014 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal para desarticular esquemas de corrupção sistêmica na Petrobras. Como desdobramento dessas apurações, Lula permaneceu encarcerado por 580 dias — período que se estendeu de abril de 2018 a novembro de 2019 — até que decisões do Supremo Tribunal Federal anularam as condenações sob a justificativa de incompetência territorial da 13ª Vara Federal de Curitiba e reconheceram a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, permitindo a volta do petista à disputa eleitoral em 2022.

Durante a entrevista, o chefe do Executivo também direcionou críticas à cobertura da imprensa tradicional, cobrando retratações públicas. Lula argumentou que, após ter passado quase dois anos sob custódia, jamais recebeu pedidos de desculpas dos órgãos acusadores ou dos veículos de comunicação, chegando a comparar a postura da emissora carioca à sua cobertura histórica do regime militar. Na visão expressa pelo presidente, tais retratações sobre sua inocência jurídica poderiam demorar décadas para se concretizarem.

Decisões judiciais provocam cancelamento na Globo

A presença de Lula no podcast substituiu o confronto direto que ocorreria nos estúdios da Globo, evento esvaziado após uma sucessão de decisões jurídicas. O presidente já havia anunciado na véspera, dia 30 de setembro, que não compareceria. Na sequência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) também declinou do convite, apontando censura decorrente de determinação da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a emissora de manter o púlpito de Lula vazio e vetou perguntas direcionadas ao presidente ausente. O cenário se complicou ainda mais com uma ordem do ministro Gilmar Mendes, do STF, impondo a inclusão de Renan Santos (Missão) no encontro, o que levou a emissora a cancelar a transmissão alegando insegurança jurídica.

Nesse xadrez eleitoral, o presidente buscou usar o espaço descontraído da internet para blindar sua imagem e manter a base mobilizada, enquanto seus adversários perderam a vitrine nacional do debate televisivo em horário nobre. Contudo, ainda restam pontas soltas sem respostas oficiais: não está esclarecido se Moro e Dallagnol pretendem acionar a Justiça contra as ofensas proferidas no podcast, tampouco foram detalhados os desdobramentos formais das apurações que envolvem o filho do presidente.

O que está em jogo: A retórica beligerante de Lula reforça a polarização direta contra Sergio Moro e Deltan Dallagnol no Paraná e consolida o Palácio da Alvorada como plataforma de campanha após o esvaziamento dos debates tradicionais. Resta acompanhar se os candidatos ofendidos ingressarão com ações por calúnia e difamação no TSE ou STF e como a Justiça Eleitoral conduzirá os limites de manifestação institucional às vésperas da votação.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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