A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo de um aparelho celular apreendido na cela do ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pela morte de Henry Borel, para investigar possíveis contatos e articulações dentro e fora do sistema prisional.

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu autorização para a quebra de sigilo de dados de um telefone celular encontrado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Condenado pela tortura e homicídio qualificado do menino Henry Borel, Jairinho teve o aparelho descoberto durante uma fiscalização da Polícia Penal no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio, onde ele cumpre pena.
A decisão judicial, proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro – a mesma magistrada que conduziu o processo de condenação do ex-parlamentar – atende a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O objetivo é realizar a extração e análise integral dos dados do aparelho, uma tarefa que ficará a cargo da Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC).
A investigação visa apurar eventuais comunicações de Jairinho com o mundo exterior e identificar possíveis articulações ou interferências em procedimentos relacionados ao seu caso. O promotor Fábio Vieira dos Santos, em sua manifestação à Justiça, ressaltou a necessidade da medida para esclarecer se o condenado exerceu influência sobre terceiros durante o período de prisão e mapear contatos que possam ter impactado o andamento de investigações.
Leniel Borel, pai de Henry Borel e assistente de acusação no processo, defendeu veementemente a importância da investigação aprofundada sobre a origem e o uso do celular. Ele enfatizou a necessidade de descobrir quem inseriu o aparelho na cela, por quanto tempo foi utilizado, quais mensagens foram trocadas e se houve tentativas de intimidação ou interferência em processos. Borel classificou a presença do celular como um “privilégio, falha e risco” inaceitável para um condenado por crimes tão graves.
A apreensão do celular ocorreu na última quarta-feira, 1º, e soma-se a um contexto de recentes decisões judiciais envolvendo a família de Jairinho. Na quinta-feira, 2, a Justiça já havia determinado que o pai do ex-vereador, Jairo Souza Santos, parasse de divulgar informações consideradas falsas sobre Leniel Borel nas redes sociais, com a remoção de conteúdos já publicados. Jairinho foi condenado em junho deste ano a 43 anos de prisão pela morte de Henry, em março de 2021, um caso de grande repercussão nacional.
O que está em jogo: A quebra do sigilo do celular de Dr. Jairinho é crucial para determinar se o ex-vereador tentou manipular testemunhas ou processos de dentro da prisão, podendo revelar novas implicações e aprofundar as investigações sobre a conduta de condenados no sistema prisional.
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