FMI elogia segurança sob o governo Bukele, eleva projeção do PIB de El Salvador para 4,5% e libera nova parcela de financiamento.

A transformação estrutural conduzida pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador acaba de receber um expressivo aval externo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou a revisão do acordo econômico firmado com a nação centro-americana e autorizou o desembolso de cerca de US$ 138 milhões. O montante integra um pacote mais amplo de financiamento de US$ 1,4 bilhão, pactuado em 2025, e premia uma estratégia que aliou o combate implacável ao crime organizado à disciplina orçamentária.
De acordo com os analistas do organismo financeiro, a atividade econômica de El Salvador superou todas as expectativas iniciais. Esse desempenho positivo decorre diretamente do restabelecimento da ordem pública e da consequente retomada da confiança de investidores privados. Em um cenário de estabilidade institucional, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) salvadorenho para 2026 foi revisada em alta para 4,5%, impulsionada pela expansão do turismo, pelo consumo das famílias e pela forte entrada de remessas financeiras do exterior.
Ajuste fiscal e segurança pública
O primeiro vice-diretor do FMI, Dan Katz, destacou que o programa econômico salvadorenho tem gerado ganhos tangíveis, refletidos em indicadores sociais aprimorados e no cumprimento rigoroso das metas fiscais. Além da contenção de gastos, os níveis de liquidez e as reservas internacionais do país superaram os parâmetros exigidos pelo acordo. O caso de El Salvador reforça a tese de que a garantia da segurança física e do direito de propriedade constitui o alicerce indispensável para a prosperidade econômica e a liberdade de mercado.
Impasses e controle do bitcoin
Apesar do ambiente amplamente favorável, as transações envolvendo criptoativos permanecem como o principal pomo de discórdia entre San Salvador e Washington. Desde que transformou o bitcoin em moeda de curso legal em 2021 — iniciativa pioneira no mundo —, o país enfrenta resistência do FMI. O acordo vigente proíbe o uso de recursos públicos para elevar as reservas estatais do ativo. Na avaliação recente, o Fundo identificou um aumento nessas reservas, mas aceitou a justificativa e os documentos oficiais apresentados pelo governo Bukele, que comprovaram que o incremento resultou exclusivamente de doações privadas.
Embora a liberação dos recursos tenha sido destravada após a adoção de medidas corretivas, o FMI alertou que manterá um monitoramento contínuo sobre a transparência da custódia desses ativos digitais. Ainda não se sabe se o governo salvadorenho conseguirá atrair novos fluxos de doações privadas em criptomoedas sem despertar novos atritos burocráticos com os auditores internacionais nas próximas rodadas de verificação trimestral.
O que está em jogo: na prática, a liberação de US$ 138 milhões pelo FMI consolida o modelo de Bukele, garantindo fôlego orçamentário para o governo e maior previsibilidade para os setores de comércio e turismo salvadorenhos. Resta acompanhar as próximas revisões do acordo de US$ 1,4 bilhão para verificar se San Salvador manterá a disciplina fiscal sem realizar novas compras estatais de bitcoin, respeitando os limites impostos pelo conselho do FMI.
Com informacoes de revistaoeste.com.