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Flávio mira Lula e promete banir bets do país

Em podcast, Flávio Bolsonaro chamou Lula de 'pai do tigrinho', prometeu banir cassinos virtuais e expôs o impacto social das apostas.

Por Redação Ponto FixoPublicado 25/09/2026 às 08h03· 4 min de leitura
Flávio mira Lula e promete banir bets do país
Foto: Agência Senado / Wikimedia

O avanço descontrolado das apostas digitais e seus impactos na estabilidade financeira e moral das famílias brasileiras tornaram-se o centro do debate político. Durante participação em seu podcast, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, teceu duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o como o “pai do tigrinho”. O parlamentar responsabilizou a atual gestão pela explosão dos cassinos virtuais no país e assumiu o compromisso público de proibir a atividade caso vença a corrida ao Palácio do Planalto.

Em sua fala, o senador enfatizou a gravidade social da proliferação desses jogos de azar digitais, afirmando categoricamente: “Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho. É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado”. Flávio sustentou ainda que o contingente de apostadores praticamente dobrou desde o encerramento do mandato de Jair Bolsonaro, apontando omissão do atual Executivo na fiscalização e defendendo a derrubada imediata de novos sites que operam sem freios no território nacional.

Histórico legislativo e regulação das apostas

Para compreender o cenário, é preciso situar a linha do tempo legal do setor. A autorização inicial para as apostas de quota fixa ocorreu em 2018, quando o então presidente Michel Temer sancionou a legislação que estabelecia um prazo de quatro anos para a devida regulamentação. Esse período expirou em dezembro de 2022, no final da gestão Bolsonaro, mantendo o mercado sem tributação nem fiscalização estruturada. Posteriormente, em 2023, o governo Lula articulou a regulamentação aprovada pelo Congresso e sancionada em dezembro daquele ano, que incluiu expressamente os cassinos on-line sob a denominação de “eventos virtuais de jogos on-line”.

A ofensiva retórica de Flávio Bolsonaro ocorre em sintonia com a crescente aversão popular ao segmento. Dados da pesquisa Atlas/Bloomberg apontam que 75% dos brasileiros apoiam a proibição total das bets, enquanto 60% avaliam que a atividade acarreta unicamente prejuízos à sociedade. Embora tenha declarado ser “contra jogos de qualquer forma”, o senador fez uma distinção técnica em relação aos palpites em resultados esportivos — como futebol, vôlei e tênis —, afirmando que estes possuem “alguma forma de controle” e guardam semelhança com a dinâmica da Mega-Sena, em contraste com a agressividade dos algoritmos de cassino.

Reação do governo e lacunas regulatórias

A manifestação do candidato da oposição coincidiu com reuniões ministeriais conduzidas por Lula no mesmo dia para avaliar medidas e regras mais rigorosas para o setor, expondo a disputa de narrativas sobre a paternidade da crise. No confronto econômico e social, ganham as plataformas de apostas e operadores que continuam faturando alto com a circulação massiva de capital, enquanto perdem o comércio tradicional, a renda familiar da classe trabalhadora e o orçamento doméstico, drenados pelo endividamento rápido gerado pelas plataformas virtuais.

Apesar da retórica de proibição imediata prometida pela oposição e das reuniões do Palácio do Planalto, ainda não se sabe qual será o mecanismo jurídico exato para barrar a operação de empresas sediadas no exterior nem como o governo federal pretende conter a evasão de divisas a curto prazo. O próximo passo envolve a definição de eventuais decretos de restrição pelo Planalto e a tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional que visem limitar publicidades, meios de pagamento e a própria legalidade dos cassinos virtuais.

O que está em jogo: A disputa entre o endurecimento de regras pelo governo Lula e a proposta de proibição total defendida por Flávio Bolsonaro define o destino de um mercado que atinge 75% de rejeição popular. A curto prazo, a equipe econômica e os ministérios precisam publicar as diretrizes de restrição prometidas, enquanto o Congresso Nacional avaliará se mantém a classificação dos cassinos virtuais sancionada em 2023 ou se revoga a autorização do setor.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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