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Mensagens revelam elo entre Alcolumbre e Daniel Vorcaro

Diálogos apreendidos pela PF mostram proximidade, eventos de luxo e cobranças de empresário ao presidente do Senado Davi Alcolumbre.

Por Redação Ponto FixoPublicado 25/09/2026 às 01h02· 4 min de leitura
Mensagens revelam elo entre Alcolumbre e Daniel Vorcaro
Foto: Montagem sobre reprodução

A apreensão e a análise do conteúdo do aparelho celular do empresário Daniel Vorcaro pela Polícia Federal trouxeram à tona a intimidade e a rotina de articulações entre o ex-banqueiro e o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Longe de se restringirem a cortesias protocolares do meio público, as trocas de mensagens expõem uma relação de amizade fraterna, combinada com a organização de eventos de alta cúpula e cobranças diretas envolvendo decisões de órgãos de Estado. O caso aprofunda os questionamentos sobre a promiscuidade entre interesses de grandes agentes financeiros e os centros decisórios da República em Brasília.

Os registros indicam que a interlocução vinha de longa data e ganhou contornos explícitos em momentos cruciais do calendário político. Em 1º de fevereiro de 2025, logo após sua recondução ao comando do Senado, Alcolumbre recebeu felicitações de Vorcaro e retribuiu de forma enfática, declarando-se “irmão” do empresário “pra vida toda”, ao passo que o executivo se colocou à disposição “a qualquer tempo pra qualquer coisa”. A dinâmica de bastidores também contava com a atuação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que aparece nas conversas auxiliando na coordenação de encontros sociais e servindo de ponte para outros contatos no topo dos poderes.

Encontros de luxo e pressões sobre o BC

A dimensão da influência e da estrutura mobilizada pelo empresário ficou evidente em abril de 2024, quando Vorcaro desembolsou R$ 3 milhões em um evento exclusivo de degustação de uísque Macallan, realizado em Londres sob o pretexto de debater o cenário jurídico nacional. A cifra milionária — um custo vultoso para uma recepção privada no exterior — reuniu nomes de peso como os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O trânsito livre nos corredores de Brasília, contudo, converteu-se em demandas pragmáticas meses depois.

Em julho de 2025, diante do veto do Banco Central à operação de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), Vorcaro recorreu a Alcolumbre para obter informações de bastidores sobre uma reunião interna da autoridade monetária. Em um dos diálogos em que o empresário cobrava retorno sobre a atuação junto a “nosso amigo”, o chefe do Poder Legislativo respondeu: “Estou em cima!!! Pressão!!!”. O histórico de atuação do parlamentar em benefício do aliado já havia se manifestado institucionalmente em maio daquele ano, quando Alcolumbre barrou monocraticamente a criação de uma CPI destinada a investigar o caso Master no Congresso.

Tentativa de delação e impasses no STF

O desgaste institucional ganhou novo capítulo em junho de 2026, com a revelação de que Vorcaro buscou firmar um acordo de delação premiada perante a Justiça, no qual prometia detalhar supostos repasses da ordem de US$ 30 milhões a Alcolumbre — proposta que acabou rejeitada. O presidente do Senado negou categoricamente as suspeitas, classificando as alegações como falsas. Contudo, enquanto as frentes de investigação política e jurídica avançam, permanecem sem esclarecimento as circunstâncias exatas e os motivos pelos quais a proposta de delação não foi homologada, bem como o teor integral de eventuais tratativas que não vieram a público.

No Supremo Tribunal Federal, o caso gerou desdobramentos divergentes. Em 23 de setembro, o ministro Cristiano Zanin negou o recurso que visava destravar e autorizar o funcionamento da CPI do Master, mantendo o bloqueio imposto pela cúpula do Senado. Por outro lado, o ministro Luiz Fux abriu prazo formal para que Alcolumbre preste esclarecimentos a respeito de uma ação movida pelo partido Novo, que exige a liberação integral dos registros de controle de entrada e saída do Senado Federal, incluindo o histórico de acessos do próprio Daniel Vorcaro às dependências da Casa legislativa.

O que está em jogo: a preservação da transparência nas relações institucionais do Senado e o esclarecimento sobre a influência de agentes financeiros privados na pauta do Congresso. Na prática, a divulgação dos registros de entrada e saída exigida pelo Novo colocará à prova o discurso de Alcolumbre e medirá a extensão do trânsito de Vorcaro em Brasília. Cabe observar agora o cumprimento do prazo determinado pelo ministro Luiz Fux no STF para que a presidência do Senado preste as devidas informações oficiais.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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